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Organização que cabe no bolso

A maior dificuldade para manter a organização não é a falta de dinheiro, tempo ou espaço. Com recursos muito simples é possível ter uma vida mais organizada. Fundamental é ter vontade de se organizar e persistência para levar pequenos hábitos adiante até que eles sejam realmente incorporados à rotina. Independente do método de organização que você venha a adotar, é importante ter ferramentas que te acompanham e que atendem às suas necessidades.



Uma ferramenta simples e que faz toda a diferença é a agenda. Eu já escrevi especialmente sobre ela, com dicas gerais sobre o uso da agenda/calendário e especificamente sobre a agenda que eu uso.  Em 2018, um dos meus objetivos é diminuir meu tempo em telas, isso significa que muito do que eu fazia digitalmente mudou para um sistema analógico. Não quer dizer que as ferramentas digitais sejam ruins - pelo contrário, elas são ótimas - elas só não me atendem para o que eu estou buscando agora.

Eu sei que estou seguindo na contramão do mundo quando digo que estou desconectando. É muito mais fácil ensinar as pessoas a se organizar com aquilo que têm nas mãos, e a maioria das pessoas têm um celular smartphone sempre à disposição. Continuo recomendando a agenda do Google - que permanece sendo uma das poucas ferramentas digitais que mantive no meu sistema de organização, pra você ver o quão boa ela é - mas quero falar sobre outras ferramentas que me ajudaram ao longo dos anos.

Para organizar as tarefas

Fazer uma lista de tarefas a fazer. Aquele exercício tão simples ao qual a gente apela no momento do desespero. Já há muito tempo as listas estão na minha rotina e para administrar essas listas eu uso o Todoist, uma ferramenta que se tornou tão essencial para mim que eu assinei a versão premium.

O Todoist me ajuda a não esquecer de algo que eu preciso fazer em determinado dia, ou quando estiver em determinado local. No Todoist eu anoto ideias para próximos textos, lembretes de coisas que eu preciso fazer em outro momento, listas de compras e de coisas que eu pretendo fazer algum dia.

Listas são ferramentas sensacionais para se organizar. Simples, práticas e eficientes. Só tem um porém: a lista não pode ser caótica ou exagerada. De nada adianta eu listar as minhas tarefas se todo dia eu preciso escrever exatamente a mesma lista que não cumpri no dia anterior.

Eu organizo as minhas listas de acordo com o GTD. Em outro post talvez eu possa mostrar exatamente como eu tenho feito, mas mesmo se você não seguir o método, o Todoist é melhor do que o bloco de notas ou a agenda de papel (no GTD não usamos a agenda para anotar tarefas, apenas compromissos) porque: ele sincroniza rapidamente em todos os dispositivos (tem app, site, extensão para navegador, extensão para Gmail...), ele tem um sistema muito bom de agendamento de tarefas recorrentes e reagendamento das tarefas atrasadas.

Isso significa que, depois da primeira alimentação do aplicativo, ele trabalha mais pra você do que você pra ele.

Para organizar arquivos

A nuvem é onde a gente deve guardar todos os arquivos importantes que não podem ser perdidos. Sabe aquela história da Fulana que perdeu todo o TCC porque o computador quebrou? Hoje o meu computador pode ser formatado sem backup porque ele é feito automaticamente - todos os arquivos importantes estão na nuvem.

Que nuvem? Vamos apurar essa história de nuvem. Imagina que lá na Internet (aqui na Internet?) existam vários depósitos, como aqueles que a gente vê em filmes. Você tem direito a um armário nesse depósito para guardar as suas coisas - que pode aumentar de tamanho até se tornar um container, um navio, um armazém inteiro se você quiser pagar por isso ou se trocar favores com o dono do depósito, por exemplo, se convidar seus amigos para guardar as coisas lá também.

Eu vou deixar você pesquisar no Google para os detalhes mais complexos, mas o importante a saber é que: 1) o armazém precisa ser grande e confiável, 2) você precisa conseguir acessar os seus arquivos a partir de qualquer dispositivo, inclusive do seu celular e, 3) sempre é bom ter cópia dos arquivos fundamentais em mais de uma nuvem. Vai que. Eu uso Dropbox e Google Drive, sendo este último apenas backup do backup - não é de onde eu normalmente acesso os meus arquivos.

Com os arquivos em nuvem, você também pode acessá-los remotamente, por exemplo, do seu celular, ou de outro computador, tendo a opção de baixar o arquivo no dispositivo que está usando, apenas visualizar o documento, ou compartilhar com outra pessoa... Isso salva muito a minha vida!

É claro que ter arquivos na nuvem não significa que eles estão organizados, apenas estão seguros - a probabilidade de que você perca os arquivos em nuvens é infinitamente menor do que a de perder o que está salvo apenas no seu HD. No entanto, segurança, confiabilidade e consciência de onde estão os seus documentos são características importantes de um sistema organizado.

A mesma segurança a gente tem quando guarda as coisas no Evernote, uma ferramenta muito boa para organizar conteúdos mais complexos do que uma lista de tarefas, mas que não precisam estar em um arquivo do Word, por exemplo. São anotações, fotos, rascunhos, coisas que eu quero guardar e acessar rapidamente de qualquer lugar, por exemplo, o panfleto do encanador ou as anotações de uma palestra.

Eu uso o Evernote para arquivo de referência e organização de projetos. Por estar num nível mais amplo, eu não acesso o Evernote tanto quanto o Todoist, por exemplo.


Como referência: Quando eu preciso guardar uma coisa que eu sei que preciso consultar mais tarde - uma informação, uma pequena lista, uma anotação, uma foto, um site... eu salvo no Evernote. É importante ter um lugar para centralizar esse tipo de informações, isso evita a fadiga na hora de procurar. Não precisar procurar uma informação em vários lugares diferentes economiza muito o meu tempo, e o Evernote tem um sistema de busca muito bom, que rapidamente encontra o que eu guardei ali.

Como organização de projetos: Uso o Evernote para ter uma perspectiva macro do que está acontecendo. São vários os métodos de organização que classificam os níveis de profundidade e amplitude dos nossos afazeres. As categorias mais amplas e profundas não precisam ser consultadas diariamente, mas precisam ser revisadas regularmente e, portanto, precisam estar seguras e acessíveis.

Para organizar as finanças

Há muitos aplicativos bons para organizar as finanças pessoais, são muitas opções bacanas para escolher. Para mim, um bom aplicativo de finanças pessoais precisa dar uma visão clara do resumo do mês. A ferramenta fundamental - adicionar uma nova transação (receita ou despesa) precisa ser fácil e rápida. O aplicativo precisa gerar bons relatórios para que eu possa tomar decisões financeiras.

Além disso, aqui em casa temos uma demanda muito específica: a possibilidade de gerenciar uma conta com mais de um usuário. Acabamos usando a possibilidade de conectar com o mesmo usuário em mais de um dispositivo, mas não é o ideal. No momento, estamos usando o ZeroPaper, mas outras opções muito boas são o Mobills e o Organizze.

Para organizar os livros

Eu já experimentei vários softwares para gerenciar a biblioteca pessoal - nunca cheguei a comprar porque é uma biblioteca pessoal. Acabei desistindo e, passei a fazer essa organização em planilhas, mas ultimamente até o querido Excel está ficando de lado, as planilhas já não são atualizadas há algum tempo porque eu tenho feito toda a gestão da biblioteca pelo Skoob.

Eu uso o Skoob desde quando o aplicativo não existia. As primeiras versões do app eram difíceis de usar. Hoje é muito prático organizar a biblioteca pelo celular. Eu usava o Skoob principalmente para ter um histórico das minhas leituras, mas agora mantenho também um belo registro dos livros que tenho e dos que eu quero ter #ficadica.

O Skoob não foi criado para gerenciar bibliotecas, mas para ser uma comunidade de leitores. Você pode cadastrar na sua conta os livros que já leu e os que pretende ler um dia - uma lista contextualizada. Com os livros que está lendo, você pode manter um histórico de leituras, fazendo comentários e interagindo com outros leitores. Na página do livro também é possível deixar uma resenha.

No Skoob também há grupos de interesse para interação com outros usuários e uma bela ferramenta de troca de livros - eu particularmente não uso, mas tenho amigos que são. São raros os casos de trocas que dão errado, a maioria das histórias tem final feliz.

Para organizar outras leituras
O Skoob é útil para dar conta dos livros, HQs e revistas que você lê, mas isso não é tudo, né? Hoje em dia a gente lê muita coisa pela internet, como esse blog aqui. Eu sigo vários blogs e canais, e para concentrar todos eles em um lugar só e nunca perder nada eu uso o Feedly.

O Feedly, melhor aplicativo para os órfãos do Google Reader, reúne todos os posts dos seus blogs e portais favoritos. Basta cadasrar os sites que você acessa para nunca mais perder uma publicação. Hoje em dia as pessoas seguem muitas páginas, canais, parece que seguir blogs está ficando ultrapassado... mas eu ainda uso o Feedly porque ainda sigo muita gente por lá, é um conteúdo que eu não quero perder.

Quem vem primeiro?

Seja a sua prioridade. Não faltam cartazes, textos, vlogs, podcasts e quadros bonitinhos para bater na tecla da auto-preservação. São mensagens bonitinhas lembrando que você precisa se cuidar, se amar, afinal, você é e sempre será a pessoa mais importante da sua vida.


Sei que muita gente fez dessa frase o tema do ano. De fato, parece um excelente conselho. É importante cuidar da saúde. A gente tem tendência a ignorar a saúde mental com muito mais facilidade com que já procrastinamos os cuidados com a saúde física. Muitas vezes precisamos de lembretes como esse. Não foi Jesus quem disse? Amar o próximo como a si mesmo. Se eu não me amo, não posso amar o próximo. Só que Jesus nunca mandou ninguém se amar, muito menos fazer de si uma prioridade.

Jesus nunca nos deu um conselho fácil de seguir. O cristianismo é difícil, e quem diz que amar a si mesmo não é fácil não está entendendo do que se trata. Veja bem, ninguém aqui falou em gostar. Até mesmo quem não gosta de si possui essa imensa facilidade para se fixar no eu, ainda que de forma negativa, a prioridade continua sendo o ego. Eu sou o centro da minha gravidade. O esforço está em resistir à minha força de atração para olhar para o próximo, e pensar no outro tanto quanto penso em mim. Este é o segundo mandamento.

Sim, o segundo. Quer dizer que, se eu já não posso ser minha única prioridade - porque amar o outro tanto quanto a mim é fazer do outro prioridade juntamente comigo - o que o cristianismo ensina que o trono não é meu, nem mesmo para dividir com qualquer pessoa.

Todas as vezes em que a Bíblia fala do que vem primeiro, ela fala de Deus e do seu Reino. No princípio, criou Deus, que já existia antes do início - no princípio era o verbo  - isso é eternidade. Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça. O primeiro mandamento é este: Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua força, com todo o teu entendimento.

Amar primeiro a Deus e me colocar em segundo plano na minha lista de prioridades é um grande desafio de entrega e confiança. Significa que eu vou parar de me preocupar com os meus interesses e deixar que Deus cuide disso pra mim.

Cuidamos muito dos outros; nos deesgastamos. Tentamos, então, cuidar de nós mesmos, falhamos. Somente quando nos submetemos e deixamos que Deus cuide de nós é que podemos ser aperfeiçoados.

Aquele que conhece todas as suas necessidades e imperfeições, que conhece o seu coração e os seus anseios, Ele pode cuidar de você enquanto você descansa nele. Não quer dizer que vamos cruzar os braços e fazer nada, mas que, por amor a Ele, vamos fazer primeiro o que Ele quer, sabendo que todas as demais coisas nos serão acrescentadas.

Conselhos para quem quer fazer Direito

Alguns sonham com isso há anos, outros decidiram de última hora... mas a empolgação é a mesma. Conforme saem as listas de aprovados, aparecem nas livrarias jovens ansiosos e pais orgulhosos, prontos para começar uma biblioteca jurídica novinha em folha (até descobrir quanto custa cada livro).


Não precisa ser ansioso com as leituras. Em breve você vai ler até saltarem os olhos para fora. Aproveite as férias. Gostar de ler é importante, com certeza, mas não tenha pressa para chegar aos livros jurídicos. Leia por prazer, o quanto puder. Você vai sentir saudades disso.

Você não precisa comprar um Vade Mecum a cada seis meses. Sim, eles são lançados a cada seis meses, com as últimas alterações jurídicas, mas dificilmente elas serão tão relevantes a ponto de ter que comprar a mais nova edição. Além disso, um Vade Mecum velho ocupa muito espaço na estante, não vale nada nos sebos e dificilmente vai servir pra mais alguém. 

A cada três anos é um prazo razoável - isso significa que você pode comprar o primeiro no segundo ano (sim, porque no primeiro nem precisa!), e o segundo no quinto, e assim terá uma edição atualizada para usar na prova da OAB. Espere um a dois meses do lançamento para comprar, vai ser muito mais barato.

Muita calma nessa hora de comprar livros. Espere o semestre começar. O meio jurídico é muito divergente. O autor que o seu amigo indicou pode ser o mais detestado pelo seu professor. Peça a opinião do professor sobre os melhores livros, você não quer uma nota baixa só porque o professor discorda do seu livro.

Você pode discordar do professor, mas antes precisa entender o pensamento dele. Para discordar de qualquer coisa é preciso, antes, conhecer. 

Democracia é um conceito muito interessante, mas não dá nota pra ninguém. Você pode ter suas convicções e se aprofundar nelas, mas não precisa ser um romântico. Há uma grande diferença entre vender as suas ideias e ser pragmático.

Saber a teoria é importante, mas colocar a mão na massa é fundamental. Não se prenda aos livros. Aproveite para fazer estágios. Experimente de tudo. Não despreze nada sem antes conhecer.

A ideia de "fazer Direito" é muito romantizada. Talvez por isso o primeiro ano seja tão difícil. Não idealize demais a justiça, mas não deixe que a faculdade o transforme em um cético. Se você perder a paixão... troque de curso.

A pergunta que deveria calar

Todos conhecem as perguntas que aparecem toda vez que a sociedade acha que a sua vida não está seguindo o script. E as namoradinhas? Já terminou a faculdade? Quando é que vão casar? Já passou no concurso? E quando vão encomendar o bebê? Não vão querer mais um? Ainda não compraram uma casa? Quando vão trocar de carro?

"O Brasil quer saber"... muito embora não seja da conta de ninguém. Às vezes é uma pergunta inofensiva, às vezes só uma forma de puxar assunto, mas não existem formas menos invasivas de se jogar conversa fora? Quer dizer, podemos falar de tanta coisa - política, futebol, novela, música, comida, produtos de limpeza, cores de esmalte, até do clima... porque falar logo da intimidade do outro?


Dentre todas as perguntas, existe uma que é a mais cruel. Uma pergunta que nunca deveria ser feita, por ninguém. É a pior de todas, porque realmente não é da conta de ninguém... mais do que isso, é íntima demais pra que as pessoas achem que podem fazer disso um assunto para a conversa. Ninguém pergunta se você já fez sexo hoje, então porque perguntam por que você não tem filhos?

Todos os casais que não têm filhos têm uma razão para isso. Ainda que a razão seja tão simples quanto "ainda não pensamos nisso", "não queremos" ou "mas o casamento foi semana passada...". Existem outros motivos, alguns mais complexos, outros mais sensíveis... qualquer que seja o motivo, não há um cenário sequer em que a pergunta melhora as coisas de qualquer modo.

O casal não quer ter filhos. 
Talvez seja novidade para você, mas não há nenhuma lei que obrigue as pessoas a terem filhos. De fato, se existe algo totalmente ineficaz para convencer um casal a ter filhos, é a insistência das pessoas que não vão ajudar a fazer, criar, pagar as contas e acudir os choros da madrugada. Não é apenas um desperdício de energia, mas uma forma rápida de fazer com que o casal se afaste de você. Se você não é íntimo o bastante para conhecer e respeitar o desejo do casal, não tem intimidade suficiente para fazer essa pergunta.

O casal não quer ter filhos agora.
E não há nada que ninguém possa fazer a respeito. Ninguém sente vontade de engravidar porque os outros acham que agora é um bom momento. Não é assim que funciona. Ninguém manda no tempo dos outros, mesmo porque, ninguém conhece a vida de um casal tão bem assim pra achar que sabe quando é o melhor momento. Por outro lado, se a sua intenção for afastar um casal de amigos meio chato, essa pode ser uma boa tática. Com certeza eles passarão a te evitar se você ficar perguntando quando vêm os bebês.

O casal está tentando ter filhos.
Ninguém tem a obrigação de contar que está tentando engravidar. Mesmo porque ninguém mais precisa dessa informação. Essa tarefa é para ser cumprida na intimidade, e ninguém deve interferir. Parece até ridículo falar isso, mas muita gente - até mesmo, e principalmente, a família - começa a pedir contas quando sabe que o casal está tentando. A pressão já é grande quando ninguém sabe, e para quem pergunta, o risco de se colocar em uma situação realmente embaraçosa é muito grande.

O casal não está conseguindo ter filhos.
E você está lá, tocando na ferida, remexendo naquele pedacinho tão sensível da vida das pessoas que elas ainda nem conseguiram confidenciar. Mesmo que não seja nada demais, ainda que seja só por falta de sorte, ninguém quer falar sobre essa frustração quando perguntam "E aí, quando vem o bebê?".

O casal não pode ter filhos.
Pensa numa situação chata. É a saia justa em que ninguém quer se meter. "Vão ter filhos logo?" "Não, a gente não pode". Pra que passar vergonha à toa, perguntando sobre coisas que não te dizem respeito? É melhor ficar quieto.

Livre da pílula

A superestimada pílula. Há quem diga que ela foi responsável pela libertação feminina, mas eu diria que foi o contrário. Tomamos a pílula para não precisar pensar no assunto - toma todo dia e não vai engravidar. Com o tempo, a pílula passou a ser receitada para tudo - regular a menstruação, ovários policísticos, endometriose e até acne. Parece um milagre. Nossos problemas acabaram?



Você se lembra da sua primeira consulta? Eu me lembro que não houve muitas perguntas, nem muitos esclarecimentos. Afinal, era uma solução óbvia. Não quer engravidar, toma pílula. Ninguém pergunta o porquê, ou se há alternativas... ninguém pergunta se há contraindicações.

Eu tinha sangramentos muito intensos na pausa da pílula, tão intensos que não podia doar sangue e precisava de suplementos durante todo o ciclo para não ficar anêmica. A solução: outra pílula, sem pausas. Sem pausas, sem sangramentos. Funcionou bem por um bom tempo, até que o corpo não aguentou. Tomando a pílula, eu passei a ter sangramentos diários. Não era muita coisa, mas era como uma torneira pingando. Constante.

Consegue imaginar a agonia?

Nesse momento eu já estudava há algum tempo sobre métodos alternativos, mas não cogitava parar a pílula por causa do risco de engravidar. Durante os meus estudos, eu tomei ciência de que o meu histórico familiar não é favorável à administração da contracepção hormonal, mas o medo de engravidar era maior. (Não é assustador que a gente tenha mais medo de engravidar do que de ter um piripaque e morrer?). Mas eu não aguentava mais sangrar sem parar. Sem parar.

A minha ginecologista pediu exames e mandou parar a pílula por um mês, e naquele momento eu decidi: eu não volto mais. Ainda sangrei por vinte dias depois que parei e no retorno, com todos os exames perfeitos, comuniquei a minha decisão de não tomar hormônios e saí do consultório com uma receita de suplementos pré-concepcionais. Ou pílula, ou grávida. Ou não.

Toda essa história já faz mais de um ano e eu não engravidei, não por algum problema ou porque tive sorte, mas porque eu não quis e porque existem métodos contraceptivos não hormonais eficazes o bastante para permitir isso. Eu optei pela combinação de um método de percepção da fertilidade com um método de barreira.

Independente do método que você usa - mesmo que seja a pílula - se você não quer engravidar de jeito nenhum, precisa combinar pelo menos dois métodos contraceptivos porque 1) todo método tem uma taxa de falha em uso perfeito e 2) o mau uso do método aumenta essa taxa de falha. Todo mundo conhece alguém que engravidou tomando pílula, né? A combinação de métodos serve para que um cubra a taxa de falha do outro.

Nada como o autoconhecimento
Eu já falei que não gosto dessa palavra, mas preciso dizer que não há nada mais empoderador do que o autoconhecimento. Saber como funciona o seu corpo, saber interpretar os sinais que ele dá e usar essas informações para tirar o melhor proveito dos seus dias.

O ciclo feminino é muito complexo - é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Quatro hormônios sendo ativados em momentos diferentes que fazem funcionar a engrenagem do corpo. Muita coisa mudando o tempo todo! O caminho do óvulo, as mudanças do endométrio, mudanças na temperatura do corpo...

Muita gente confunde percepção da fertilidade com tabelinha, como se não fossem opostos. Seguir tabelinha é pegar aquele ciclo de vinte e oito dias, supor que a ovulação acontece exatamente na metade do ciclo e querer que o corpo corresponsa a essas expectativas. Percepção da fertilidade é uma leitura de dentro pra fora, é o corpo, e não o livro, quem conta o que está acontecendo. É informação confiável e personalizada em tempo real.

Meu corpo não é sujo
De tudo, pra mim o mais surpreendente foi descobrir que nem tudo o que sai da vagina é corrimento. Essa informação crucial quebrou uma barreira enorme, a barreira do nojo. Desde a adolescência, encontrar uma secreção na calcinha trazia frustração e uma cobrança interna - falta higiene, falta limpeza, falta cuidado.

A descoberta de que não é algo sujo, mas algo lindo - sinal de fertilidade! - trouxe uma sensação completamente diferente, um deslumbramento, uma curiosidade, a alegria de ver, em mais um sinal, que está tudo funcionando direitinho. Minha vagina é minha amiga. Sai, neura!

A parceria fundamental
A contracepção não é um assunto feminino. Dentro de um relacionamento, a contracepção será sempre um assunto do casal. Está dentro da área mais íntima da relação, onde não há espaço para desonestidade.

Enquanto eu estudava sobre o assunto, antes de tomar a minha decisão, eu compartilhava com meu marido todas as informações. É um direito e um dever dele também participar dessa escolha, estar bem informado quanto às alternativas, indicações e contraindicações.

Os métodos que escolhemos foram uma decisão conjunta e consciente. Quando eu falei para ele que não queria mais tomar hormônios, ele sabia o porquê. Esses fatores ajudaram muito nos momentos de arrependimento - sim, às vezes a gente se arrepende e enche o saco. Tomar a pílula é muito mais fácil, é prático, não precisa pensar. Saber o porquê de estar fazendo o que se está fazendo é fundamental para levar à frente qualquer projeto.

Saudades da pílula?
Parar de tomar a pílula não serviu só para estancar o problema imediato. Eu percebi diversas mudanças em mim, algumas coisas que eu nem sabia que eram influência dos hormônios que estava tomando. Uma elevação da disposição, da sensação de bem-estar, da libido... só tenho uma coisa a lamentar, porque não seria honesto deixar de dizer: quando eu tomava hormônios minha pele era per-fei-ta. Voltei a conhecer cravos e espinhas, meio chato, mas nada grave, né?

Agora que eu me sinto dona do meu corpo, consciente do que estou fazendo e do porquê estou fazendo... agora que provei para mim mesma que é possível ter uma vida sexual ativa e não engravidar, mesmo sem a pílula... eu posso dizer que liberdade é não precisar fazer o que não se quer. Eu não preciso da pílula. Essa é a minha libertação feminina.

O jeito errado de educar

Eu costumo dizer que, enquanto educadores - pais, tios, avós, preceptores, professores, guardiões, seja lá qual for o título oficial - o nosso papel é de moldar uma personalidade única para que ela consiga conviver com as demais e aproveitar o seu potencial. Assim como cada criança é única, cada um de nós tem o seu jeitinho especial de educar - experiência, crença, cultura, educação, tudo isso e muito mais influencia nas nossas escolhas.

É certo que existem muitas formas de educar, e também é certo dizer que não há uma maneira correta - e nesse ponto o respeito é fundamental. Procuramos aquela que parece ser mais correta segundo nossas crenças e valores, mas não podemos esquecer que as outras pessoas dificilmente terão exatamente o mesmo conjunto informativo, e mesmo que compartilhem, podem considerar de maior importância algo que consideramos não ser tão fundamental.

Todo mundo acha importante que as crianças tenham saúde, mas isso significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Para uns, criança saudável é a que não está doente, para outros é a que come frutas e verduras, outros consideram fundamental para a saúde que a criança não experimente açúcar até os dois anos de idade. 

Enquanto a gente discute quem está mais certo, a probabilidade de que todos estejam vivos e saudáveis daqui trinta anos é muito grande, e que todos nós tenhamos perdido o nosso tempo discutindo, maior ainda. É necessário um esforço de empatia para compreender que todo mundo - ou pelo menos a maioria das pessoas - está tentando fazer o seu melhor, na medida do possível.



Por outro lado, não podemos cair na armadilha de pensar que todo mundo está certo do seu jeito. Existe, sim, o jeito errado de educar.

Dependência

É um paradoxo muito grande ter um serzinho completamente dependente de você. É maravilhoso, péssimo e assustador, tudo ao mesmo tempo. Dá medo de fazer tudo errado e, ao mesmo tempo, medo de deixar que eles façam e errem mais ainda. Dá aquela canseira de ter que fazer tudo e, ao mesmo tempo, aquela dor no coração de saber que somos cada vez menos necessários.

É um desafio educar humanos autônomos: o delicado equilíbrio entre a segurança e a ousadia. Ainda, é completamente necessário que as crianças desenvolvam, em seu próprio tempo, a autonomia de que vão precisar pra não ter que pedir pro pai abrir o pote em rede nacional.

Dá medo de soltar essas pessoinhas nesse mundão? É claro que sim. Mas é melhor aprender a cuidar da própria vida em um ambiente seguro do que, de uma hora pra outra, precisar se virar sozinho e não ter com quem contar.

Ninguém dura pra sempre, e a dependência traz uma fragilidade enorme à vida de uma pessoa. Hoje, a maior dificuldade dos adolescentes institucionalizados e dos egressos de acolhimento (estou me referindo aos "orfanatos" e "abrigos", que a gente não chama mais assim) é a ausência de autonomia - não aprenderam como fazer compras de supermercado, como pegar um ônibus, como funciona um cartão de crédito.

Não importa se o seu estilo é mãe-águia, que joga o filhote do penhasco e fica observando pra ver se vai dar tudo certo, ou se o seu negócio é criação com apego, ou alguma coisa no meio dos dois. É importante incentivar a autonomia.

Arrogância

Há um movimento muito interessante na educação que destaca a criança como uma pessoa a ser respeitada, na mesma linha do Estatuto da Criança e do Adolescente, que elevou as crianças ao status de sujeitos de direitos - e não mais objetos. Esse movimento diz respeito à consideração da criança como um ser dotado de personalidade, uma pessoa única, que tem aptidões e desejos, que se emociona, que age e reage. Um ser a ser compreendido, antes de corrigido.

Não há nada de errado com esse movimento. Não é disso que se trata o jeito errado de educar. Crianças são pessoas e devem ser tratadas como tais. Respeito gera respeito. Amor gera amor. Etc gera etc.

O problema surge quando elevamos a criança ao status de super-pessoa, majestade, soberano. A coroação da infância faz com que em cada lar habite um pequeno monarca - mas a mamãe não é a rainha e o papai não é o rei. Diante da majestade criança, todos somos súditos.

Crescer com essa mentalidade é muito cruel. É uma visão de mundo distorcida, como se fosse toda feita de vidro, que a qualquer momento pode se estilhaçar, com cortes, gritos e traumas. A criança precisa dos limites, precisa do não, precisa ter consciência de que existem outros, e que ela é mais um dentre os outros. Antes que os outros ensinem isso pra ela. Fora de casa as lições não são temperadas com amor.

Medo

Nenhum ambiente violento é saudável para qualquer pessoa. Nenhuma criança se desenvolve bem quando vive com medo. Eu sei que muitos vão dizer "mas eu cresci com medo do meu pai e tô aqui". Só que eu não estou falando que as crianças vão literalmente morrer de medo - muito embora a morte não seja um resultado incomum em um ambiente de violência.

Viver com medo faz mal porque o medo não é o contrário da coragem, mas da confiança. Algumas coisas não são letais e ainda assim trazem prejuízos com os quais a gente precisa conviver e tratar na terapia anos depois. Crianças precisam se sentir seguras - confiança em si, nos pais, nas pessoas, em Deus - para chegar à plenitude do seu desenvolvimento.

Existe uma dose saudável de medo, aquela que nos faz viver longos anos. O medo que nos impede de morrer de um jeito estúpido. A medida certa de medo não nos impede de desenvolver vínculos de confiança com outras pessoas. A medida certa de medo não nos impede de calcular riscos, tomar decisões corajosas e executar atos de bravura. A medida certa de medo é aquela que nos ensina a viver num mundo de sobreviventes.

Ignorância

Uma saia justa todo dia. Nada passa despercebido aos seus olhos e ouvidos, e o filtro entre o que se pensa e o que se fala praticamente não existe. A curiosidade é enorme e precisa ser bem aproveitada para estimular a inteligência e a criatividade.

No meio de tantos o quês e porquês, às vezes a gente se perde. Seja por não sabe como explicar um assunto complexo para uma pessoa tão nova, ou por achar que não está na hora de aprender esse tipo de coisa, ou mesmo porque a cota de porquês do dia já explodiu junto com a paciência.

Todo aquele rebolado para não responder as perguntas cabeludas ou contar mentiras para encobrir uma história que você não quer contar agora acabam se revelando armadilhas que podem explodir bem na sua cara.

Eu disse recentemente e reafirmo: cabe aos pais decidir, na medida do possível, quando, onde e como abordar assuntos sensíveis e importantes. Por outro lado, quando estivermos lidando com a medida do impossível, precisamos tratar as crianças com honestidade e franqueza, sem esquecer a idade que têm e a sua capacidade de compreender a complexidade da vida.

Guia AnnieEscreve #6

Parece que alguém acendeu uma fagulha nesse mundo encharcado de gasolina. A intensidade das últimas duas semanas rendeu muito bafafá, e eu me vi aprendendo que sobre certas coisas é melhor não se pronunciar. Não dá pra entrar em toda terta que aparece, principalmente quando a treta parece fabricada pelo marketing da produção do evento. 

Inútil? Não necessariamente... uma situação como essa pode provocar discussões interessantes e esclarecimentos importantes. Ânimos aflorados podem revelar o que realmente pensam certas pessoas e mudar o modo como as enxergamos dali em diante. 

Mesmo assim, enquanto pessoas estão morrendo em tragédias naturais e humanas pelo mundo, me parece pequeno discutir o sexo dos anjos. É mais proveitoso que cada um arregace as mangas para deixar a sua parte de tempero nesse mundo ácido.


Sendo assim, embora tenhamos aproveitamos o momento para refletir um pouco sobre o lugar da política, da sexualidade, da religião e de outros temas sensíveis no ambiente escolar, encerramos a temporada falando sobre prioridades. Antes disso, falamos sobre a necessidade de crescer, mencionando as atitudes que nos tornam verdadeiros adultos.

A Fall Season - principal temporada de séries americanas - começou, e eu ainda não conferi as novas temporadas das séries que acompanho, embora tenha conseguido espaço pra assistir o piloto de algumas séries novas. (Eu não sei como isso acontece, mas parece que não é só comigo).

Liar traz uma história em que cada pessoa envolvida tem uma versão diferente par ao que aconteceu - alguém está mentindo. A primeira temporada fala sobre um suposto estupro, marquei para continuar assistindo em outra oportunidade e confesso que vou ficar decepcionada se tomar a história tomar a via fácil para fazer do homem o mentiroso.

Philip K. Dick's Electric Dreams tem a proposta de apresentar uma história diferente do autor de ficção científica em cada episódio. Talvez o nome não lhe seja familiar, mas muitos roteiros de cinema se basearam em suas histórias, como O Vingador do Futuro e Minority Report. Como fã do escritor, não pude deixar de ver o piloto e gostei muito da representação, apesar de ainda não ter lido o conto em que se baseia. 

The Good Doctor pode ser mais uma história de um geniozinho autista (ainda não sei se eu fico com o copo meio cheio da divulgação do tema, ou com o copo meio vazio da popularização do estereótipo). No caso, o gênio-autista acaba de ser aprovado para residência cirúrgica em um grande hospital. Uma espécie de Greys Anatomy com Atypical, exceto que o menino não tem família. O piloto não foi ótimo... mas tem potencial para melhorar.

Vamos terminar essa temporada com esperança - esperando que as próximas semanas sejam melhores. Esses últimos dias só serviram pra vender jornal... só que ninguém mais compra isso.

Primeiro: a ordem das coisas

Parece quase injusto que em um mundo tão cheio de possibilidades e oportunidades, estejamos aprisionados nesse regime chamado tempo. Por outro lado, talvez essa limitação seja de fato uma bênção. Afinal, se o tempo também fosse infinito, a importância das coisas seria um tanto desbotada...


Porque precisamos escolher, precisamos escolher bem. A nossa moeda mais valiosa precisa ser aplicada nos melhores investimentos, não haverá outra oportunidade. Mas o que estamos fazendo com o nosso tempo?

É um discurso recorrente, preciso colocar minhas prioridades em ordem. A frase se repete como se a gente já não soubesse o que é prioridade e também o que deveria ser. Parece que estamos sempre para trás nessa corrida.

Prioridade não é aquilo que, no fundo do coração, eu acho importante, ou aquilo que eu penso que deveria ser mais valorizado. Um exame realista da rotina pode dizer melhor do que a gente mesmo quais são as prioridades.

Esperar o tempo sobrar para poder sair com a família, aprender um idioma, destralhar aquele quartinho da bagunça, correr no parque, sair com os amigos só demonstra que essas coisas não são prioridades nesse momento.

O tempo nunca sobra. O que sobra? Sobram coisas na nossa rotina. A gente arruma tempo para aquilo que é importante tirando o tempo daquilo que não é. 

Bloqueia a agenda no sábado à tarde para organizar a lavanderia. Separa uma hora todo dia para ler. Coloca um ponto final no dia de trabalho na hora certa para passar tempo com a família.

Aquilo que deveria ser prioridade não o será enquanto o tempo estiver sendo gasto com outras coisas. Prioridade é aquilo que vem primeiro.

O que a escola ensina

Bias. Palavra que indica uma tendência, inclinação, preferência. Inclinações não são sempre ruins. As pessoas precisam de preferências, tendências e inclinações - o nome disso é ter opinião. É importante que cada um tenha a sua. Quem lê este blog conhece quais são as minhas tendências e inclinações. Mas a opinião tem o seu lugar, assim como a imparcialidade.

Quando a opinião ultrapassa o seu espaço demarcado no jornal, a informação é comprometida. Pior, quando a opinião se disfarça de imparcialidade, quando teorias se apresentam como fatos, quando a preferência de uns sufoca as preferências dos outros, o que era tendência se transforma em manipulação.

Dizem que a imparcialidade é impossível. Talvez seja verdade, mas uma coisa é certa: os problemas causados pela parcialidade diminuem consideravelmente quando há uma parcialidade honesta, quando admitimos e confessamos quais são os parâmetros, as tendências, as crenças, os valores que informam nossas preferências. 

Ao entrar em uma igreja, temos uma noção razoavelmente clara do que será pregado ali. Ninguém espera cultuar um deus hindu em uma igreja evangélica, mas ninguém vai a uma igreja se não quiser - pelo menos não deveria. Embora não existam muitas opções lá dentro, estar ali é uma opção.

Independente do que diz a lei, o STF e o povo do Facebook, é papel da família ensinar sobre sexo, religião, política, entre outras coisas, porque os valores morais são o tipo de educação que a família concede à criança. A escola existe para ensinar conhecimentos específicos.

É claro que as coisas se misturam um pouco na linha divisória entre o educar e o ensinar. A escola precisa lidar com a ética, os pais precisam ajudar os filhos a aprender o conteúdo escolar. No entanto, essa área cinzenta onde a parceria deveria ocorrer pode se transformar rapidamente em zona de conflito.

Não é que a educação não possa ser informada por valores específicos - sejam eles políticos, religiosos, morais... - mas ela precisa ser completamente honesta sobre esses valores desde o princípio. Não há promessas de imparcialidade religiosa em um colégio adventista ou vincentino. Instituições educacionais com propostas pedagógicas não convencionais procuram deixar os valores de sua abordagem bem claros aos pais e responsáveis - eles sabem que precisam de uma parceria, e não de uma zona de conflito.

É totalmente aceitável que isso aconteça porque ninguém é obrigado a matricular os filhos no colégio de freiras. É uma opção. Não concorda, leve a sua criança para outra escola. O problema é quando a optativa se torna obrigativa. Por diversas circunstâncias, as pessoas podem se ver sem condições de optar por uma educação em conformidade com os seus valores familiares.

Quem matricula seus filhos na escola pública normalmente não tem muita liberdade de escolha sobre a escola - é a mais próxima do seu endereço, a que tem vagas, a que aceita crianças peculiares... O Estado não seleciona os pagadores de impostos - ele aceita o dinheiro de todos para prestar serviços a todos, portanto não pode aderir a uma opinião em detrimento das demais.

Se por um lado a instituição pública não pode ter um posição oficial em matérias opinativas e altamente controversas e pessoais, é impossível exigir o mesmo dos agentes estatais. Sugerir que as pessoas não devem ter ou manifestar opiniões quando exercem suas funções é, no mínimo, ingênuo, e no fim das contas funciona como a desculpa perfeita para vestir de imparcialidade e absoluta correção aquilo que não passa de uma opinião ou preferência pessoal.

É simples assim: se eu não devo manifestar a minha opinião, a minha fala nunca será meramente opinativa, mas revestida de formalidade, apesar de contaminada, inevitavelmente, com a minha opinião. Esse recurso pode ser usado propositalmente - aproveitando-se da cátedra para o doutrinamento dos alunos vulneráveis - ou de forma inocente - tem gente que acredita mesmo que consegue informar sem opinar.

Por isso que, em todos os casos, é sempre melhor ser honesto. As opiniões surgirão inevitavelmente. Os assuntos surgirão inevitavelmente. As crianças não têm filtro sobre o que se conversa em casa e o que se conversa na escola, e muitas sequer terão a oportunidade de falar sobre certos assuntos em casa.

Mas os assuntos devem ser tratados de forma honesta, colocando as etiquetas certas naquilo que é opinião e no que não é, tendo o tato de dizer que algumas perguntas devem ser levadas para casa - ainda que encontrem uma resposta (dentre muitas) na escola. As crianças precisam ser estimuladas a investigar, a ouvir diversas fontes e a formar a sua própria opinião. E isso vai além, muito além das aulas de filosofia. 

Como deixar a adolescência e se tornar um adulto de verdade

Por algum motivo, as pessoas desta geração associaram a vida adulta a um período cheio de obrigações e responsabilidades, e só. Quando você paga contas, você está sendo um adulto de verdade. Quando você passa o sábado assistindo a Netflix que você pagou, bom, isso não é adulto? 

Nós ensinamos aos adolescentes que toda liberdade vem associada a uma responsabilidade do mesmo tamanho. Talvez seja necessário ensinar à geração Peter Pan que toda responsabilidade vem com uma liberdade de igual valor. Ser adulto não é a pior coisa do mundo. Na verdade, não há nada melhor do que viver plenamente a idade que se tem.


A verdade é que a gente adora fingir que sofre, destacar tudo de negativo nessa vida que a gente leva, que na verdade nem é ruim. Chega de drama. Engole o choro. Vamos ser adultos de verdade, sim.

Corte o cordão umbilical e declare a independência

Ou, pelo menos, comece a planejar essa etapa. É um grande passo para você, um pequeno passo para a humanidade. A frase não tem tanto impacto quanto a original, mas a sua vida vai mudar. No entanto, tome muito cuidado: existe o jeito adulto e o jeito adolescente de fazer isso. Estamos tentando ser adultos aqui.

A maioria dos meus amigos e conhecidos saiu da casa dos pais para trabalhar, estudar ou casar, mas eu conheço muita gente que não precisou morar fora para estudar ou trabalhar, e que não vai casar tão cedo. Parece que não há uma motivação para essa mudança de endereço. Um corpo em inércia tende a ficar em inércia, não é?

A adolescência é um período de muita ansiedade pela independência - vislumbramos a liberdade, não a responsabilidade. A vontade de que as coisas aconteçam do seu jeito e de que tudo à sua volta seja uma grande declaração de quem você é. Sim, ansiamos por liberdade e gritamos "eu não vejo a hora de sair dessa casa!"

Aí nos tornamos adultos, e embora o costume tenha tornado aquele grande comichão em uma coceirinha companheira, a necessidade de ter um canto só seu continua ali. Para a maioria das pessoas. Mas nem todas fazem algo a respeito, e muitas fazem do jeito errado.

Nesse momento, se você mora com seus pais, precisa fazer uma avaliação sincera sobre o motivo pelo qual você continua com eles: os seus pais dependem de você? você está aproveitando o momento em que pode economizar para dar um grande passo no futuro? ou você simplesmente resolveu aproveitar o máximo possível até que eles não aguentem mais a sua presença e resolvam sair de casa?

E qual é o jeito errado de sair da casa dos pais? É sair como um adolescente, movido pelas emoções e sem pensar direitinho em como vai viver de forma independente. Não precisa esperar até conseguir o manter o mesmo padrão de vida que você tem morando com seus pais - uma contenção de gastos é esperada para abrigar as contas necessárias, mas não dá pra sair com uma mão na frente e outra atrás, pra dormir na casa de um amigo, pagando a sua parte do aluguel com serviços domésticos. Veja bem. Tenha um plano, um plano de adulto, e paciência para levar esse plano até o final.

Resolva a sua própria bagunça

Nem todo mundo que saiu da casa dos pais é independente (da mesma forma que já refletimos que nem todo mundo que mora com os pais está parasitando o lar). Uma pessoa autônoma precisa ser capaz de cuidar das próprias coisas. Uma pessoa responsável precisa saber consertar as merdas que faz.

Todo mundo erra. O que separa as pessoas decentes do resto é o quanto a pessoa se responsabiliza pelas suas decisões. Na vida adulta a gente lida com papéis, com burocracia e com dinheiro. Lidar com essas questões é ser o gerente da própria vida.

Isso não quer dizer que você nunca deve procurar um profissional, apenas tente não se acomodar. Você não precisa de um contador para administrar suas finanças pessoais. Peça conselhos, peça ajuda, e principalmente, peça para que te ensinem como se faz - assuma a responsabilidade pela sua permanência nessa grande bola giratória.

Aprenda a lidar com gente

Não sei se foram os computadores ou a falta de obrigação de falar com as pessoas... você já viu uma geração tão socialmente incompetente quanto a nossa? Não sabemos falar com as pessoas, temos aversão a chamadas telefônicas e Deusmelivre ter que resolver um assunto pessoalmente. Isso não tem nada a ver com ser introvertido ou extrovertido, mas com competências interpessoais. Se você não vive no seu próprio planeta, precisa aprender a falar com outras pessoas.

Tudo bem que muita coisa pode ser feita com um clique e isso facilita a nossa vida, não estou radicalizando. Mas as pessoas tinham muito mais prática nesse negócio chamado "relacionamentos interpessoais" quando esses relacionamentos não aconteciam pela via escrita, intermediados por uma tela e um avatar.

O que não mudou é que as pessoas ainda existem. São vizinhos, vendedores, prestadores de serviços, professores, colegas de trabalho, gente com quem, eventualmente, a gente precisa lidar e até, quem sabe, puxar conversa no elevador. As pessoas estão aí e não existe nada de especial em viver no seu mundinho, se recusando a interagir. Não perca a chance de interagir com humanos de verdade. Vai saber quanto tempo a gente ainda tem.

Descubra onde se informar

Um adulto de verdade não precisa saber tudo, mas é importante ter o telefone de quem sabe saber onde procurar. Isso significa que pedir ajuda é coisa de adulto, sim, com a diferença de que o adulto sabe quem pode ajudar em cada situação.

Procurar ajuda, seja de uma pessoa da sua confiança, de um profissional ou de um portal online, é muito diferente de procurar fundamentação para as certezas que você já tem, quer dizer, buscar alguém para concordar com você. É expor a sua vulnerabilidade e permitir que alguém lhe ensine algo.

Ao contrário do que a gente achava, ser adulto não significa ser perfeito e acabado, mas compreender a nossa incompletude. A maturidade traz a humildade de quem não conhece tudo, mas tenta, na medida do possível, aprender com os melhores.

Permita-se

Ser adulto não é apenas ter boletos a pagar. Aliás, a graça de crescer é poder calcular riscos e tomar decisões. A responsabilidade é apenas um lado da moeda. Ser adulto significa que eu posso decidir o que será do meu dinheiro, do meu tempo, das minhas habilidades... - em vez de depender das vontades e possibilidades de outra pessoa.

Quando a lista de prioridades é minha, eu posso decidir que prefiro sair pra jantar a assinar canais de televisão. Na sexta-feira, eu posso decidir se vou dormir mais tarde, ou se prefiro acordar cedo no sábado. E se eu preferir acordar cedo no sábado, não vou me achar uma pessoa boba ou velha porque eu não preciso me sentir pressionada, como um adolescente, a tomar as decisões que "todo mundo acha" que são as mais legais.

Ser adulto é, às vezes, errar, porque adultos assumem as responsabilidades e consertam o estrago que fizeram. É saber que a gente não tem que ser sério e produtivo o tempo todo, que a vida precisa ser equilibrada com a leveza, as risadas, que a mente precisa ser arejada, assim como a casa.

Ser adulto é se divertir sem ser idiota - e quando eu falo idiota estou falando daqueles que acham que é legal se divertir com o sofrimento de alguém, ou que tomam decisões precipitadas, assumindo uma conta que não serão capazes de pagar. Ser adulto é gastar o seu dinheiro com o seu hobby, sem ter medo de ter que explicar para alguém o que você está fazendo.

Sobre este assunto: um dos melhores livros que eu li em 2017, Como Criar um Adulto (Julie Lythcott-Haims) não ensina apenas sobre como podemos influenciar a próxima geração, mas nos faz refletir para sermos melhores adultos.

Guia AnnieEscreve #5

Já faz 84 anos desde o último #GuiaAnnieEscreve. Mesmo devagar, enquanto eu estava dando conta de algumas prioridades muita coisa interessante aconteceu por aqui. Será que você perdeu alguma coisa?



Muita coisa foi escrita aqui desde o último guia. O site chegou a ficar fora do ar por quase um mês, e sabe o que fez os textos voltarem com tudo? Todo mundo que mandou mensagem porque tentou acessar e não conseguiu. Eu não escrevo porque tem gente lendo, eu escrevo porque preciso, mas saber que vocês estão aí do outro lado dá muita vontade de fazer tudo cada vez melhor. Obrigada!!

E sobre o que eu escrevi? Aqui no Annie Escreve se fala sobre todo tipo de assunto. Não é um blog sobre política, livros, organização, relacionamentos, vida cristã, séries, moda, beleza... É o meu blog. Assim como os meus amigos podem conversar comigo sobre esses e quinhentos outros assuntos, vocês podem ler a minha opinião sobre qualquer coisa aqui.

Falamos sobre tolerância e empatia, e sobre comunicação no casamento. Falamos sobre atividades extravagantes para gastar o tempo e o dinheiro que a gente não tem, falamos sobre a rotina de cada um e os motivos porque muitas mulheres estão sozinhas no trabalho doméstico.

Dei dicas de séries sobre política e de como descartar alguns itens que se acumulam pela casa porque a gente não consegue jogar no lixo. Indiquei alguns livros para ler e dar risada e falei sobre a problematização da beleza.

Escrevi sobre o dilema em que a melhor parte é também a mais difícil, a glamourização do sofrimento, a polêmica da exposição que foi cancelada e, talvez a treta mais importante do ano: um texto informativo, explicativo e bastante extenso sobre a reforma trabalhista, colocando de forma bem clara o que é verdade e o que é mito, o que vai ajudar a sua vida e o que vai atrapalhar. Se você ainda está meio confuso com esse tema, leia já! A reforma já começa a valer em novembro.

Eu li Multiplique (Francis Chan) depois de Casais e Dinheiro (Victoria Felton-Collins e Suzanne Blair Brown), Dívida Boa Dívida Ruim (Jon Hanson) e Mais Tempo Mais Dinheiro (Gustavo Cerbasi e Christian Barbosa). Depois de ler muita coisa sobre o mesmo tema em sequência a mente começa a saturar. Eu estava precisando mudar de assunto, e esse livro sobre discipulado foi perfeito para o momento.

Depois disso, li Marketing de Conteúdo (Rafael Rez) e Você é o que você compartilha (Gil Giardelli). Recomendo muito a leitura do primeiro para quem quer colocar a sua cara na internet, o segundo livro já não é tão interessante como na época em que foi lançado. Terminei a leitura de Cristianismo puro e simples (C. S. Lewis) e agora estou lendo A Lógica do Cisne Negro (Nassim Nicholas Taleb), um livro com muitas críticas negativas e positivas, o que torna as coisas bastante interessantes.

Também li Contos Plausíveis (Carlos Drummond de Andrade) e Cien Años de Soledad (Gabriel García Marquez) muito, muito lentamente. Depois disso, li rapidinho A lenda do cavaleiro sem cabeça para poder dizer para vocês: não leiam! É chato, os personagens são chatos e o cavaleiro aparece por dois segundos na história toda (por que esse título, né?). Voltei para o Drummond: Lição de Coisas, o último Drummond não lido na minha biblioteca. Estou aceitando doações (na edição branquinha da Companhia das Letras, por favor, pra não bagunçar a estante).

Aqui no apartamento doze terminamos de assistir House of Cards e Better Call Saul e embora estejamos duas temporadas atrasados com Orange is the New Black, a falta de vontade de continuar assistindo (desculpa) nos levou a começar Forever, uma série curta - só teve uma temporada de 22 episódios - sobre um médico legista imortal. Tem uma pegada Sherlock Holmes, com uma história mais complexa sobre a sua imortalidade e a descoberta de outro cara imortal, só que psicopata (eita).

Por falar em Holmes, estou assistindo Elementary na Netflix, uma releitura de um Sherlock Holmes contemporâneo em Nova York acompanhado de uma Watson, sim, John Watson se tornou Joan Watson. Estou curtindo muito a série! Quase todas as temporadas estão na Netflix e, se seguir o padrão, a última deve ser lançada no streaming quando começar a próxima na TV americana, nos próximos meses.

Comecei a ver Parenthood, a série que todo mundo quer ver depois de Gilmore Girls. Tenho um número bem restrito, e pra entrar uma nova alguém tem que sair, e essa estava na fila há muito tempo. Entrou no lugar de Orphan Black, que acabou.

Orphan Black tem todas as temporadas na Netflix e conta a história de clones humanos lutando por sua liberdade contra a empresa que os criou. O filme Onde está segunda?, lançamento da Netflix, me lembrou um pouco a série, com esse ar de ficção científica e distopia e uma grande atriz interpretando várias personagens diferentes.

Assisti Ballerina, que é uma animação bonitinha, mas nada de extraordinário. Fomos no cinema com o sobrinho marlindo ver Meu Malvado Favorito 3 que eu achei bem mais ou menos perto dos outros filmes da franquia. Os meninos gostaram.

Um filme que eu achei que seria mais ou menos, mas acabou sendo engraçado é o Mom's Night Out, que em português ficou com o título Mamãe: Operação Balada (que não tem nada a ver porque elas saem pra jantar e não pra balada). Com o marido, assisti Malévola (ele escolheu e isso significa que eu casei certo), e embora eu estivesse com muito sono (tô virando a minha mãe) gostei muito do filme!

Tô ouvindo muito as rádios do Spotify. A minha favorita é a partir da artista Lorena Chaves. Toca muita música delicinha nessa trilha. A "rádio do artista" no Spotify não são músicas escolhidas pelo artista, são músicas que as pessoas que ouvem aquele artista gostam e você pode calibrar a rádio contando para o Spotify se você gosta dessa música ou não. Também tô curtindo muito Vocal Livre, Amanda Rodrigues e Deise Jacinto.

Fora do streaming, já estamos ensaiando para o musical de Natal!!! Pois é, piscou, o ano acaba, e por aqui vai ser tudo liiindo. Eu sou o tipo de pessoa que ama essa época do ano, e não vejo problema nenhum em começar the most wonderful time of the year alguns meses mais cedo. Já é Natal por aí?

Quatro razões porque você faz tudo sozinha em casa

"Tudo eu nessa casa" é uma frase que une as mães e os adolescentes - uns com mais razão do que outros. Não é difícil encontrar uma mulher que acredita que o marido, os filhos, ou quaisquer que sejam as pessoas com quem ela more, poderiam e deveriam ajudar mais.

As estatísticas não me permitem falar besteira aqui: as mulheres gastam, em média, o dobro de horas nas atividades domésticas, em comparação com os homens - sem contar as donas de casa em tempo integral. Estamos falando de gente que trabalha quarenta horas por semana... e passa mais vinte horas cozinhando, limpando, lavando, passando, cuidando das crianças....

A realidade é esta, sem enfeite, nem maquiagem: o reflexo de uma cultura machista que há séculos aprisiona os homens e mulheres da nossa sociedade. Porque isso é verdade, volta e meia surgem textos, sermões, pregações, infográficos, vídeos e todo tipo de material para dizer "Homens, se toquem e comecem a fazer mais atividades domésticas".

O problema é que todo esse material é visto e aplaudido apenas por mulheres. Os homens não estão seguindo uma série de quadrinhos para entender o quanto a sua esposa está cansada e como ele é um folgado que vive como se tivesse empregada doméstica. As pessoas dificilmente chegam ao final de um texto que fala contra elas. E aí? Nada acontece.

Ficamos esperando que os homens mordam a isca para se instruir, criem consciência sobre o mundo ao seu redor, que eles entendam indiretas e que todo mundo contribua em casa de forma mais ou menos igual, sem precisar ficar falando, repetindo, insistindo, brigando... Enfim, ficamos esperando que a mudança parta deles.

"Eu já faço demais", eu sei, eu sei. Mas se você é adepta do "quer fazer bem feito, faça você mesmo", então você sabe que a forma mais eficiente de mudar a sua realidade começa com a sua própria mudança. Será que você não está fazendo algo para contribuir para o seu próprio martírio?




Toda a organização da casa está concentrada em você

Saber o que tem que ser feito - parece óbvio, mas não é. A coisa é muito mais simples quando não envolve várias pessoas. Quais são as tarefas que precisam ser feitas, e com que frequência? Acredite, isso não é universal, tampouco é um conhecimento implantado no cérebro desde a fase embrionária. É daquelas coisas que a gente aprende em casa, com as figuras de referência e com nossa própria experiência.

A grande questão é que cada pessoa tem um histórico diferente - experiências diferentes, criação diferente - e traz consigo a cultura do seu berço, que pode ser muito, muito parecida com a sua, mas sempre será diferente. Isso significa que esses detalhes, que a carrega a vida toda, e por isso parece tão óbvio, precisam ser esclarecidos quando estamos lidando com mais de uma pessoa. Não dá pra cobrar das pessoas a execução de tarefas que só existem na sua cabeça.

Vocês podem sentar e decidir como organizar as atividades domésticas, para formar um plano. Não importa se cada um terá as suas tarefas definidas, ou se simplesmente vão definir o que precisa ser feito, sem designar pessoas específicas... O importante é que todas essas coisas saiam da sua cabeça e estejam em um local acessível a todos.

Ninguém faz como você

Para que as pessoas realizem certas tarefas, é importante dar a elas a liberdade necessária para fazer do jeito delas. Há uma diferença enorme entre dar sugestões para melhorar o processo e ditar passo a passo de como fazer cada coisa.

A sensibilidade precisa ser maior quando falamos de pessoas que, diferente de você, não têm anos e anos de prática. O nível de exigência precisa ser menor para quem está aprendendo. Costumamos fazer isso com as crianças, mas por algum motivo não temos paciência para deixar que o adulto aprenda.

Nem toda crítica é útil ou necessária - o que você acha super importante pode ser apenas uma mania, e a maioria das críticas pode ser transmitida sem um tom ofensivo - em vez de enfatizar o que está errado, dê uma sugestão sobre como essa pessoa pode melhorar.

Muitas mulheres criticam e até ridicularizam os maridos no serviço doméstico ou no cuidado com os filhos apenas para reforçar um estereótipo - "olha o jeito que ele segura a criança", "olha quanta água ele coloca no balde", "todo esse tempo pra lavar uma louça..". Se você recebesse esse tipo de estímulo, qual seria a sua reação?

Deixar que os outros façam significa aceitar que cada um vai fazer do seu jeito - segundo as suas competências e limitações. Se você não consegue lidar com as pessoas fazendo de um jeito diferente do que você faria - que não é necessariamente errado - talvez seja melhor aceitar que sempre fará tudo sozinha.

Você sustenta padrões irreais

Existe um limite daquilo que é possível em uma casa onde as pessoas vivem. Muita gente usa esse limite como desculpa para a bagunça. "Casa arrumada não tem vida" - quantas vezes não ouvimos isso? Eu já falei que não é verdade. Existe um equilíbrio entre a casa impecável do showroom e a casa onde ninguém liga porque as pessoas estão vivendo - em meio ao caos.

A gente se cobra demais pela cortina que não ficou bem ajeitada, pela ponta do tapete que está dobrada, pelo cisco que caiu no chão. O fato é que aquela casa impecável do fim de sábado - ou que é arrumada para as visitas - não se sustenta por mais de duas horas, não deu nem tempo de descansar da faxina.

Descubra o padrão de limpeza e organização que você consegue sustentar. Em vez do ciclo semanal em que a casa fica muito suja e bagunçada, para depois ficar muito limpa e arrumada, encontre um padrão realista, que vocês conseguem manter todos os dias, sem precisar de uma força-tarefa.

Acredite: é muito melhor viver em uma casa 8/10 todos os dias do que passar duas horas em uma casa impecável, sendo que nessas duas horas você está tão cansada que nem consegue curtir antes do primeiro suco derramado.

Os padrões irreais são tão exigentes, que desanimam muita gente antes mesmo de começar - a gente sabe que vai dar trabalho e não vai durar. É muito melhor envolver todo mundo na manutenção de um padrão realista do que se frustrar porque toda aquela faxina só durou duas horas.


Você mora com pessoas mal-educadas

Existe gente ignorante e existe gente sem noção. Estou falando de gente folgada, egoísta, egocêntrica e preguiçosa. Nesse ponto, pensando no que se pode fazer a respeito, há uma diferença enorme a partir de quem são as pessoas que moram com você. Algumas relações são voluntárias, outras não. Algumas situações você ajudou a criar, outras já estavam lá quando você nasceu.

Você não escolhe os seus pais, mas escolhe o amigo com quem vai dividir o apartamento. Você não tem muita influência sobre a educação do seu marido - as pessoas mudam, mas não mudam -, mas é 100% responsável pela educação do seu filho (não, não é 50% pra cada um, é 100% pra cada um: lidem com essa matemática).

Algumas situações podem ser remediadas imediatamente, outras requerem tempo de planejamento e preparo. Às vezes vale mais a pena ser trouxa do que passar a vida inteira falando com as paredes - sabe como é? Afinal de contas, na maioria das vezes, a gente escolhe quem são as pessoas que a gente mora, e escolher errado traz pro seu colo uma parte da responsabilidade...

Pode ser que a paz interior esteja em fazer o que tem que ser feito, e se sentir feliz consigo mesma. Se você se sente bem com isso, não tem problema nenhum em fazer tudo sozinha.