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Google Calendar: o guia annieescreve da agenda digital

Eu tenho o hábito de usar agenda diariamente há muitos, muitos anos - desde a época em que as pessoas usam agendas para anotar não apenas as datas de prova e os requisitos do trabalho de história, mas também trechos dramáticos de música romântica e versinhos de amor para os crushes - que naquela época não tinham esse nome.


Por muitos anos usei agenda de papel, e não me incomodava em nada. Há muita gente que até hoje prefere agenda de papel e não há mal nenhum nisso. Inclusive, recentemente voltaram à moda os planners, bullet journals e tudo o mais, que nada mais são do que as velhas agendas de papel mais artesanais, customizadas e, bom, dá um pouco mais de trabalho. Pra quem gosta dessas coisas e se sente estimulado com isso, deve ser ótimo.

Pra quem precisa começar a organizar seus compromissos, parar de perder prazos e fazer a vida funcionar, pode não ser o ideal. Já há uns cinco anos eu passei a usar exclusivamente a agenda digital do Google, que eu considero ideal para quem precisa se acostumar com a ideia de uma agenda.

Por que é melhor que o papel?

Não é mais um trambolho que você precisa levar. A agenda mora na nuvem e pode ser acessada e editada pelo computador e pelo celular, que já é uma coisa que você carrega a todo lugar.

Seus dados estão salvos. Quem não tem o costume de carregar uma agenda pode acabar perdendo a bendita por aí, mas se você é destambelhado até com o celular... não tem problema. Seus compromissos estarão lá e você pode acessar de qualquer lugar.

É facilmente editável. Sabe quando a vida muda? A reunião é cancelada, a secretária do médico liga pra perguntar se pode adiantar a consulta em uma hora, aparece uma coisa mais importante e urgente e você precisa reprogramar tudo o que tinha naquele horário para encaixar esse imprevisto... Não tem problema.

Você não precisa gastar tempo com design, que uma coisa que me irrita um pouco com os bullet journals. Acho lindo e admiro quem tem a paciência, mas se eu vou gastar mais tempo para inserir um compromisso do que participando dele, já não acho produtivo, por mais bonitinho que fique no instagram.

Você pode acessar de qualquer lugar. Basta fazer login no Google. Não sei se já mencionei isso, mas acho importante.

Minhas funcionalidades preferidas

Abre parêntese. Antes de falar sobre o que eu mais gosto, eu preciso dizer que eu não uso todas as funções da ferramenta, não porque esteja subutilizando, mas simplesmente porque são tantas possibilidades, que tem coisas lá que eu não preciso e, por isso, ficam desativadas - por exemplo, é possível visualizar mais de um fuso horário, a previsão do tempo, ou utilizar em conjunto um calendário alternativo, por exemplo, o chinês, mas eu não uso essas coisas. Pode ser que uma das minhas funções preferidas seja inútil pra você. Não tem problema, isso não vai atrapalhar a sua usabilidade. Fecha parêntese.

Múltiplas agendas. Você pode criar agendas diferentes para contextos diferentes e se organizar melhor. Por exemplo, uma agenda só para compromissos pessoais e outra para reuniões de trabalho. As duas aparecerão na mesma tela com cores diferentes, ou você pode ocultar alguma delas se quiser, por exemplo, ter uma visão panorâmica mais limpa das suas reuniões durante o mês.

Agendas compartilhadas. A agenda do Google é ideal para quem precisa compartilhar compromissos com outras pessoas. É muito fácil compartilhar uma agenda com o marido, o sócio, colegas de trabalho/projeto... É aqui que o recurso de múltiplas agendas se torna mais interessante, porque limita os compromissos que você vai compartilhar. O acesso das outras pessoas à sua agenda é definido por você: edição ou apenas visualização.

Notificações. Usar a agenda implica adquirir dois hábitos: anotar e consultar. Muita gente deixa de usar a agenda porque nunca se lembra de olhar a agenda depois e acaba perdendo os compromissos, mesmo tendo anotado tudo. A agenda do Google permite que você configure um alerta, por email ou notificação no celular, para te lembrar desse compromisso minutos, horas, dias antes...

(Não-)padrão de visualização. Geralmente a agendas possuem um dia por página, ou uma semana... Eu gosto da visualização semanal, dá uma boa perspectiva de como estou usando o meu tempo e é a forma mais recomendada para quem usa o método GTD. Mas isso não quer dizer que eu sempre quero visualizar a semana inteira. Às vezes eu quero ver como está o mês. Ou o dia. Um fim de semana. Um período aleatório de treze dias. Tudo isso é possível. É muito fácil configurar. Essa liberdade é sensacional.

Dicas para usar a agenda

Se você não tem treze anos, não use a agenda para anotar recados, escrever letras de música, lista de tarefas ou o que você gostaria de fazer hoje. Agenda é para compromissos. Coloque na agenda tudo o que tem data, tudo o que tem prazo, tudo o que tem hora pra acontecer. Isso dá credibilidade às suas anotações. Se está na agenda é porque precisa ser feito.

Lembre-se dos deslocamentos. Não adianta marcar dois compromissos em lados opostos da cidade em horários subsequentes, você vai se atrasar. Acrescente o tempo de deslocamento quando estiver marcando os seus compromissos, ou pelo menos lembre-se de espaçá-los o suficiente para que sejam viáveis. Não adianta marcar uma agenda cheia de compromissos impossíveis de cumprir. Isso não é produtividade.

Não deixe pra depois. A ideia de carregar a agenda com você é justamente poder usar em qualquer lugar. Quando for marcar alguma coisa, abra a agenda, marque na hora, inclua todos os detalhes de que você vai precisar. Tirar as informações da cabeça é um alívio e a garantia de que você não vai esquecer. Está anotado.

Não é chato quando você está no meio de uma tarefa que vai demorar pelo menos mais uma hora e se lembra (ou é lembrado) de que precisa parar tudo para atender a um compromisso? Crie o hábito de verificar a agenda todos os dias, para poder planejar o seu dia conforme os compromissos marcados e se livrar das notificações (são úteis, mas uma chatice, né?).

Como eu uso minha agenda



Não existe um jeito certo de usar a agenda, existe o jeito ideal e adequado e esse jeito é único para cada pessoa que usa agenda, mas é sempre interessante poder observar os sistemas dos outros, a gente acaba descobrindo soluções para aquelas coisas que sempre incomodaram.

Como podem ver pelas cores, eu tenho quatro agendas no meu setup. As agendas azuis são do meu marido - pessoal e empresa - e eu tenho permissão de edição na agenda pessoal, assim como ele tem na minha. Isso significa que se eu pedir pra ele marcar uma consulta pra mim, ele pode verificar o melhor horário e inserir na minha agenda, ou que quando alguém liga cancelando um compromisso dele, eu posso excluir da agenda, por exemplo. (É sempre bom avisar para as pessoas quando a agenda é alterada).

Eu uso duas agendas diferentes para compromissos fixos e móveis - somente a de compromissos fixos é compartilhada. É a agenda padrão, na definição que dei anteriormente, para inserir apenas compromissos com data, prazo, hora pra acontecer.

A agenda de compromissos móveis é para minha referência. É uma agenda mais flexível, com coisas que precisam ser feitas, mas não necessariamente nesse horário. Ela serve para me lembrar que eu preciso desses intervalos de tempo para fazer coisas importantes pra mim. São compromissos que eu tenho comigo. Como costumam ser só rotinas, geralmente deixo essa agenda oculta e só visualizo quando preciso marcar alguma coisa. É algo que funciona pra mim, mas eu entendo se lhe parece confuso ou desnecessário... como eu disse, uso da agenda é algo bem particular. 

No topo do dia, aparecem os "compromissos de dia inteiro", que é onde eu marco os prazos dos clientes, por exemplo. Também uso essa área para assinalar os dias de férias, congressos e eventos cujo horário ainda não foi decidido... Eu tinha uma agenda do blog também, que usava como calendário editorial, os posts apareciam no "topo do dia", mas desde que passei a gerenciar também as redes sociais eu uso uma planilha pra isso.

⏰⏰⏰

Espero que esse post tenha sido útil pra você. Importante lembrar que estamos sempre aprendendo e descobrindo formas mais eficientes de fazer o que precisa ser feito. Hoje eu faço assim, amanhã espero que esteja ainda melhor. Você tem alguma dica pra mim? Como usa a sua agenda?

A problemática da problematização

Não é que o mundo está chato. O mundo não tem nada de chato ou legal. Quem faz alguma coisa com o seu mundo é você. É um reflexo de quem você é. Chato, legal, engraçado, dramático, catastrófico, problemático... tudo isso é questão de perspectiva. Quer dizer que se o mundo está chato, o chato sou eu? Sim.

(Já começamos a treta na maior delicadeza, percebem?)

Então o mundo não está chato, você talvez seja chato, mas isso não resolve tudo. Mesmo sendo uma pessoa legal, zen, de boas, tranquilona, às vezes o negócio fica esquisito, e nem sempre a culpa é sua. Não é algo assim, que afete a sua visão de mundo, mas um zumbidozinho diferente lá no fundo, uma luz um pouco destoante, quem sabe até seja algo que não te afete em nada, ou que incomode demais.

Isso porque, ainda que o seu mundo seja legal, você não está sozinho nele. No mundo existe gente chata, gente desonesta, gente com voz irritante, gente que se intromete... tem muita gente nesse mundo realmente, mas o que a gente quer falar é sobre gente chata, ou melhor, sobre um tipo específico de gente chata: gente que problematiza.


Tudo pra mim

"Quem é Jesus?", perguntavam os missionários, de casa em casa. Em uma nação de tradição cristã, não havia curiosidade ou total desconhecimento nas respostas. Um homem de bem, um personagem histórico, aquele que morreu na cruz... No entanto, a resposta mais frequente vinha acompanhada de um suspiro quase apaixonado que confessava "Ele é tudo pra mim".



Parece comovente, e é realmente lindo, se você puder dizer o que "tudo" significa. No entanto, era triste perceber que muitas vezes "tudo" era apenas uma forma mais bonita de dizer "eu não sei qual é o lugar de Jesus na minha vida". Em vão dizemos "ele é tudo pra mim" quando não confiamos a Jesus o senhorio absoluto sobre as nossas vidas.

Há diversas formas de fugir da pergunta. Alguns se saem com "Deus não pode ser definido, pois é um Deus infinito, tão grande que jamais será conhecido por completo...". Bom, quem nunca fez isso na prova discursiva quando não sabia o que responder, não é? Você pode dizer "tudo pra mim" se você souber o que TUDO significa.

Aqueles que entregaram as suas vidas a Jesus e se relacionam com esse Deus que se importa não podem ignorar quem ele é, ou mesmo deixar de percebê-lo em suas vidas. Se Jesus é tudo pra mim de fato, então não faltarão palavras para descrever quem ele é. Se faltarem, talvez o tudo seja só uma forma de esconder o nada.

Quando Jesus perguntou, "E vós, quem dizeis que eu sou?", a resposta foi uma confissão de fé repleta de significado. Quando Pedro diz "Tu és o Cristo, filho do Deus Vivo", ele reconhece que Jesus é Deus, é Senhor e é o Messias que veio para salvar a humanidade.

Quem é Jesus pra você?

Guia AnnieEscreve #1


Pooois é, mudamos. Em vez daqueles links relacionados aos textos da temporada, agora todo sábado eu vou falar sobre o que aconteceu por aqui, o que eu li, ouvi, assisti, usei, participei.. dicas para curtir e também pra passar longe, porque a única vantagem de cair numa roubada é poder avisar os outros né?

Nessa temporada escrevi sobre meus lugares favoritos em Curitiba e mostrei meu cabelo curto. No domingo conversamos sobre a armadilha que é a busca da felicidade - parece que ainda precisamos definir essa palavra. A primeira treta do ano é bem didática para quem não consegue entender como esse povo dos direitos humanos fica aí defendendo bandido. Pode ser difícil mudar de ideia de uma hora para a outra, mas pequenos passos também levam a melhores destinos.

Eu estou ouvindo muito Pedro Valença, que já apelidei de Mark Schultz brasileiro (entendedores entenderão). Ouvi tanto que parece que as músicas não saem mais da minha cabeça! Ele lançou há pouco tempo seu primeiro álbum Pode Ser, mas já participava como cantor e compositor do Vocal Livre. O moço também tem um canal no youtube com alguns vídeos ensinando a tocar as músicas dele no violão.

Por falar em música, eu assisti a terceira temporada de Mozart in the jungle. É uma série da Amazon que gira em torno da Orquestra Sinfônica de Nova York e seus músicos. Tem o Gael Garcia Bernal interpretando o protagonista, o maestro Rodrigo que chega para substituir o antigo maestro, ainda insatisfeito com a aposentadoria. Tem uma jovem oboista que sonha também fazer parte dessa orquestra. No meio de tudo isso, muitos personagens interessantes, caricatos, malucos (músicos, né?) e, é claro, uma trilha sonora maravilhosa. Cada temproada tem apenas dez episódios de trinta minutos. A próxima só em dezembro. Dá tempo de ficar em dia até lá.

Uma das minhas metas este ano é obter fluência no francês, por isso estou tentando incluir o idioma no meu dia-a-dia, principalmente com músicas, filmes... Assisti Paris, te amo, que na verdade não é bem um longa, mas vários curtas seguidos, cada um retratando um amor nos diferentes bairros da capital francesa. Tem curtas bons, ótimos e ruins. Na minha opinião, o melhor de todos é o último. Pela média geral, não vale a pena a menos que você tenha um amor especial pela cidade (não tenho) ou, assim como eu, quiser usar o filme para aprender francês.

Estou estudando francês (e alemão!) no Duolingo. Já usava essa plataforma antes, (inclusive já falamos dela por aqui!), mas agora estou usando com disciplina e consistência. Três semanas estudando todos os dias um pouquinho. Outro compromisso que eu fiz é de praticar exercícios físicos todos os dias. Sim, quando eu falo todos os dias inclui sábados, domingos, feriados... Pode ser vinte minutos de blogilates, uma caminhada, uma hora de dança, o importante é se mexer.

Por falar em bons hábitos, esse ano já terminei a leitura de um livro, e agora estou encarando duas leituras mais pesadas. Educação financeira é uma leitura ótima para quem tem filhos ou pretende ter um dia. A nossa relação com o dinheiro se constrói desde cedo. É interessante observar como o comportamento dos nossos pais nos influenciou e como o nosso comportamento se espelha nos pequenos. Com atitudes simples e alguns hábitos mais arrojados podemos criar seres humanos mais responsáveis.

Um pequeno passo

Janeiro é aquele mês cheio de energia, todo mundo empolgado para fazer mudanças. Aprender um idioma. Emagrecer. Parar de comer porcaria. Praticar um esporte. Sair mais. Sair menos. Poupar. Viajar. Ter uma vida mais organizada. São muitas intenções, que por algum tempo são cumpridas, mas que nem sempre se tornam hábitos.


Talvez você precise renovar as mesmas metas todos os anos porque está tentando dar um passo grande demais.Vamos começar do simples, do básico? É mais fácil dar pequenos passos do que um passo enorme - em vez de sentir a frustração por encontrar pouco progresso após tanto esforço, a satisfação pela conquista de uma pequena meta dá o combustível para partir para a próxima. 

Por exemplo, pode ser difícil parar de comer todo tipo de junk food. A meta fica muito mais viável se você escolher duas coisas para retirar do cardápio: sorvete? chocolate? refrigerante? Escolha algo que faz parte da sua vida, não vale parar com o sorvete se você só toma muito esporadicamente - isso não é compromisso. Avalie muito bem a sua capacidade de cumprir, com honestidade. Não consegue ficar sem chocolate? Comece por outra coisa.

Você quer ser uma pessoa mais organizada? Isso é ótimo. Quais hábitos você precisa incorporar à sua rotina? Usar uma agenda? Controlar o seu fluxo de caixa? Se livrar da tralha na sua casa? Lavar a louça todo dia? Comece com um. Conquiste. Siga em frente.

Bandido bom

Mortos nos presídios no norte do país. Líder religioso atacado dentro da igreja. Chacina em festa de família. Atentados suicidas em Bagdá. O ano começou com muitas mortes, e, diante disso, todo tipo de reações. A maioria das reações, no entanto, não se constrange em expressar alívio e até felicidade pela morte de mais um bandido.

Todo calouro ou aspirante ao curso de Direito já teve que responder à pergunta do tio do pavê: mas e aí, quando você tiver que defender um bandido, isso não é errado? você vai mentir pra tirar o cara da cadeira? você vai trabalhar pra que um bandido não vá pra cadeia, é isso mesmo? - perguntam como se o dilema ético lançado fosse a grande indagação do universo, como se isso fosse causar dor de barriga em todas as "pessoas de bem" que um dia pensaram em exercer a advocacia e convertê-las dos seus maus caminhos.


Como vocês conseguem defender bandido? é a pergunta que não quer calar nas redes sociais.


Eu defendo o combinado

Quando se fala em punição, os princípios que se aplicam são os mesmos, não importa a escala. Isso significa que, quase sempre, a regra do que funciona e não funciona será a mesma com crianças de cinco anos e com adultos de trinta e cinco. A principal regra - que o Estado descumpre, mas a gente nem sempre faz valer em casa - é que combinado é combinado.

Não adianta ameaçar e não cumprir. Qualquer que seja a idade do ameaçado, uma hora ele percebe que não dá pra levar a sério esse sistema punitivo que nunca parte pra ação. Mas o combinado tem que valer no sentido contrário também.

Quem não lembra das palmadas na bunda acompanhadas das sílabas eu-já-fa-lei-que-não-é... que basicamente ensinam que o que está acontecendo é o cumprimento daquilo que foi combinado. Eu falei antes. Eu avisei. Você sabia e descumpriu. Também não é justo combinar que ia fazer uma coisa e fazer outra ou aplicar um castigo completamente desproporcional à gravidade da falta.

O adulto que faz isso já sabe que está perdendo a confiança da criança, criando uma relação de hostilidade e transformando o infante em uma pessoa insegura e em estado permanente de defesa, quase um selvagem.

Se queremos uma sociedade justa, as leis que a definem precisam seguir ao padrão ético exigido dos cidadãos. Não há crime sem lei anterior que o defina, não há pena sem prévia cominação legal. Em outras palavras, combinado é combinado.


Eu defendo a pessoa

Quando se fala em presidiário, pensamos sempre no outro. Quando pensamos em como deveriam ser as punições na sociedade, não imaginamos nunca que um dia qualquer um de nós será o alvo das penas. Eu espero que ninguém que me lê agora esteja planejando cometer um crime, mas o que é crime, e como alguém se torna um criminoso?

Crime é uma conduta tipificada por lei, isto é, uma conduta que a lei escolhe para classificar como criminosa. Quais condutas serão criminosas? Isso depende de quem faz as leis. Muitas vezes a moralidade anda junto com a lei, mas volta e meia elas entram em conflito. E não é um dilema ético água com açúcar como "e se você tiver que defender um bandido?". Alguns crimes podem ser cometidos até por acidente. 

Se formos realmente especular, podemos dizer que uma conduta sua poderia se tornar crime amanhã, ou o Estado encontrasse maneiras mais eficazes de fiscalizar e aplicasse com mais rigor as penas sobre condutas como fazer download ilegal, tirar xerox de um livro inteiro, estacionar em vaga preferencial...

Não estou querendo dizer que as pessoas nos presídios são cidadãos exemplares que por infortúnio foram parar nessa situação, só estou fazendo um exercício para que você consiga se imaginar lá dentro. Imagine que num dia de fúria, aquele acesso de raiva contido na sua cabeça consegue escapar e você mata alguém no murro. Não dá pra se referir ao presidiário como "eles" se você molha a mão do guarda ou não paga a pensão. Só por um momento, vamos descer do pedestal de honestidade e imaginar que o bandido poderia ser você.

John Rawls nos convida a esse exercício para imaginar o "sistema de regras ideal". Como seriam as regras do mundo se você não soubesse em que lugar você estaria? E se fosse você? E se fosse o seu filho? Como deveria ser a punição para quem comete crimes na sociedade? Nem tão branda, nem tão cruel - eu espero que seja esta a sua resposta.

A Lei de Talião não funciona nem na sua casa. Um erro não conserta outro erro. Uma traição não conserta outra traição. Um puxão de cabelo não conserta outro puxão de cabelo. Sempre haverá quem alegue que o outro fez mais forte, ou que em mim doeu mais. Não ensina nada, não resolve nada, só causa mais estrago.

Considere que o bandido é, antes de tudo, uma pessoa. Não um antagonista, uma pessoa, qualquer pessoa. Se uma pessoa comete um crime, qual deve ser o combinado? O que é justo para punir uma pessoa que cometeu um crime? Lembre-se que o justo deve ser o mesmo para a pessoa que você ama e a pessoa que você odeia.

Existem limites éticos que a gente não pode ultrapassar, a fronteira que delimita quando tratamos uma pessoa como uma pessoa, ou quando partimos para a crueldade. A regra de ouro também vale aqui: tudo o que quiseres que os outros lhe façam, faça você também a eles.

Feliz cabelo novo

Eu sou de ciclos. Ou estou deixando o cabelo crescer, ou estou querendo cortar. Não tem essa de manter o corte. Muita gente tem como marca registrada as madeixas enormes, ou o curtinho moderno, e vai mantendo aquele look que funciona. Eu entendo o raciocínio, "em time que está ganhando não se mexe", mas eu gosto de mudar e, principalmente, de poder mudar (razão número um porque eu nunca usei química no cabelo).



Quando eu decidi cortar o cabelo, já sabia quando e onde: na minha próxima viagem a Curitiba, no Hair Factory Beauty Center, o único salão (que eu saiba) especializado em cachos no Paraná. (Se você conhece outro, por favor me conta!). O Charles foi o responsável pelo meu corte anterior, e ficou tão maravilhoso que eu nunca mais mexi (eu costumava cortar o meu cabelo em casa). Outros amigos cacheados já cortaram com ele, ninguém se decepcionou.

É assim, você fala o que quer (cortar tudo? manter o comprimento? mais volume? mais cachos?), ele sente o seu cabelo e ali já sabe como está a saúde dos fios, o que precisa cortar, o que dá pra fazer pra chegar onde você quer. O corte em si é muito rápido, algo meio Edward Mãos de Tesoura, que, de uma forma muito incrível, dá muito certo no final. Depois você fica aos cuidados das assistentes, que fazem a finalização do cabelo. Todo mundo ali é bastante solícito para ensinar e tirar dúvidas sobre como tratar os cachos no dia-a-dia.


Eu já estava determinada a cortar muito o cabelo. Quando vi na página do salão as publicações sobre o corte para doação, tive certeza que faria isso. É importante informar imediatamente o cabeleireiro que você pretende doar os fios para que ele não realize nenhum procedimento que impeça a doação. Informe-se no local onde você vai doar sobre qual o tamanho mínimo das mechas que eles aceitam.

O resultado é o cabelo mais curto que eu já tive. Um corte muito moderno, com franja. O cabelo está sempre pronto a qualquer hora do dia, se dá bem com acessórios, dá pra prender, mas só é necessário quando precisa tirar o cabelo do rosto. O único revés é que fica muito, muito horrível quando está sujo. Não dá pra disfarçar (turbante nesse calor nem pensar). O jeito é água, mesmo. Mas no verão  do Iguaçu quem precisa de desculpa pra entrar debaixo do chuveiro?

Meus lugares favoritos em Curitiba

Eu já morei em muitos lugares diferentes. Cidades pequenas médias e grandes, no sul e no norte, no litoral e no interior, cidades novas e antigas, mas nenhuma cidade era tão bonita quanto Curitiba. Nos quatro anos em que vivi na capital do Paraná, colecionei alguns lugares favoritos. Não é fácil escolher alguns lugares para visitar em uma cidade com museus, teatros, restaurantes, cafés, livrarias <3, sem falar nos mais de trinta parques, mas sempre tem aquele lugar especial...



Como cozinhar usando apenas o forno

Depois de mudar de uma casa com cozinha completa para uma casa sem cozinha, estou me virando com forno e geladeira para fazer todas as refeições até a cozinha nova chegar. Sem fogão para ferveer uma água sequer, estou me sentindo em uma prova bem longa do Masterchef, mas sabe de uma coisa? Nesses desafios a gente se supera. Embora eu esteja com saudade de feijão e macarrão, dá pra viver muito bem com o forno elétrico.
Montando o cardápio da semana, eu sempre tento pensar em proteínas e carboidratos, mas as saladas frias também são importantes para complementar um prato elaborado sem fogão. Espero que essas ideias possam salvar uma alma perdida do mundo das lasanhas e pizzas congeladas. Não são receitas, apenas ideias que eu executei (ou vou executar) na minha cozinha. A maioria é bastante intuitiva pra quem já cozinha, mas quem não tem afinidade não terá dificuldade em encontrar uma receita dessas nas internetes.

- Coxa c/ sobrecoxa de frango com pão de alho e vinagrete
- Maminha assada na mostarda com batata bolinha
- Tomates recheados com ricota e ervas
- Torta de milho com tomate
- Torta de cachorro quente
- Sanduíche grelhado de almôndegas de frango
- Nuggets de peito de frango com croutons e salada verde com tangerina
- Pernil de porco com beterraba e salada de rúcula
- Quibe assado recheado com requeijão, com pão sírio, alface e tomate
- Linguiça de pernil com beterrabas e cenouras caramelizadas
- Batata hasselback com fatias de bacon crocante e cream cheese
- Ratatouille
- Filé mignon suíno com batata doce e salada de escarola
- Torta de atum com tomate
- Batata recheada com queijo, presunto e cream cheese
- Truta recheada com ervas com couve-flor e brócolis assados


Nunca dispensei o forno na minha cozinha porque acho muito prático. Especialmente o forno com timer, que desliga no tempo determinado. Posso preparar a refeição, sair para cuidar da vida e quando chego em casa tem comida quente. E você, usa muito o forno ou só assa bolo e pão de queijo?

5 séries novas que merecem ser vistas

Começou nas Terras Gringas a Fall Season, temporada de outono em que as principais séries da televisão voltam ao ar com novos episódios. Nessa mesma época são lançados vários projetos novos para tentar conquistar os nossos corações e a nossa audiência audiência deles, a audiência de quem assiste pela internet não importa muito.

Como em todo início de temporada, o Banco de Séries lançou o desafio para quem quiser assistir todos os pilotos da Fall Season 2016. Dos poucos que eu consegui assistir - boa parte deles não vi até o fim, minha paciência não está muito grande - cinco das séries que mereceram entrar na fila das séries que verei algum dia. Sim, só vi os pilotos.


É cedo para começar a assistir? Talvez seja. Nesse momento, ninguém sabe se as séries terão uma temporada completa, se o projeto será encerrado abruptamente, se haverá um final decente, se continuará pelos próximos anos... Tudo o que eu posso garantir é que essas quatro séries merecem um pouquinho do seu tempo, mesmo que seja apenas para o episódio piloto.

E se não der certo...

Já faz algum tempo que divórcio não é mais um tabu. Se a nossa geração já conviveu com muitos pais divorciados, as próximas não parecem menos familiarizadas com essa configuração familiar. Os sociólogos falarão sobre a liquidez da vida moderna, sobre a nossa tendência a descartar mais do que apegar-se. 

Nesse contexto, o divórcio deixou de ser aquela ferramenta protegida por uma caixa selada com inscrições vermelhas que dizem "Em caso de perigo, quebre o vidro" e passou a ser uma espécie de seguro contra sinistros. Vamos casar e, se não der certo, a gente separa. Nesse momento começa a contagem regressiva para o divórcio.


Algumas coisas que fazem parte da nossa vida moderna não foram feitas para durar - usa, joga fora, compra outro - quanto tempo dura o seu celular? O novo é tão fácil, rápido e atraente que não consideramos consertar algo que estragou - quando foi a última vez que você foi na costureira, no sapateiro, no tintureiro?

Nossos avós tinham um arsenal de ferramentas, instrumentos e máquinas para consertar todo tipo de coisa dentro de casa, mas a nossa geração é quase inútil nessas competências. Somos mais bocós diante de um sistema elétrico do que nossos avós diante de uma tela touchscreen - pelo menos eles estão aprendendo.

Tenho notado no horizonte um "movimento dos reparadores", iniciativas como iFixit e Repair Cafe. Gente que não acha atentatório à dignidade sujar as mãos de graxa, que não tem medo de chave de fenda, que não precisa de ajuda pra fazer barra de calça e que encara o reparo como um estilo de vida. As razões são as melhores possíveis: salvar o planeta, economizar dinheiro, aprender novas habilidades...

Infelizmente não vejo o mesmo movimento de conservação de bens para conservar pessoas. Pelo contrário, cada vez mais inventamos manobras para facilitar o rompimento. A gente só namora que é pra não assumir muita responsabilidade... vai morar junto porque papel só serve pra dar trabalho na hora de desfazer... a gente casa porque, se não der certo, dá pra divorciar até no cartório.


A televisão mostra um casal completando décadas de casamento, e a pergunta que sempre fazem é: qual é o segredo?

Consertar relacionamentos dá muito mais trabalho do que consertar coisas. O investimento financeiro pode ser mínimo, mas o emocional é grande. Exige persistência, exige humildade, exige amor, exige abrir mão do controle, das alternativas. Casar é uma corrida de resistência, mas é em dupla, então a gente se diverte no caminho.

O casamento começa com "até que a morte nos separe", e não com "e se não der certo, divórcio". Não é um grande compromisso porque dura, ele dura porque é um grande compromisso. Eu me comprometi a trabalhar pela felicidade do outro pelo resto dos meus dias, até que a morte nos separe. É um compromisso diário de amar, mesmo quando eu não quero amar. Nessa mutualidade reside a felicidade conjugal.

Ambas as pessoas precisam estar alinhadas na convicção de que se não está dando certo, precisamos fazer dar certo, na certeza de que a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso do relacionamento pertence aos dois, em igual medida. Encerrar um casamento porque não estava dando certo é desistir do outro. Incompatibilidade de gênios é a mentira que a gente conta para não dizer que cansou da convivência ou que não quer mudar para se relacionar melhor com as pessoas.

Aquele que não quer mudar, além de arrogante, é um solitário. Nenhum relacionamento em que você permanece o mesmo vale a pena. Os relacionamentos que merecem ser cultivados são aqueles que ensinam, que transformam, que moldam o nosso caráter e nos tornam pessoas melhores. Por esses vale a pena lutar. O segredo é não desistir.

Cachos de verão