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Relato de Amamentação

 Ela veio direto para os meus braços e, sem nem pensar, eu logo tirei a teta pra fora. Os primeiros dias na maternidade foram tranquilos. Me perguntavam se ela mamou, se fez xixi, se eu estava sem dor. Sim, sim, sim.Selfie tirada pelo pai na sala de parto, após o nascimento de Maria Elisa, com toda a equipe. Maria Elisa está nos braços da mãe, com a cabeça próxima ao seio desnudo.

Tudo parecia perfeito. Recebemos a visita da consultora de amamentação. Avaliou a pega, a língua, a mamada, orientou algumas posições. O bebê estava mamando. Foi ótimo. Me senti confiante.

Mas a cada mamada ela ficava mais incomodada. Chorava, se irritava, e eu me escondia para amamentar para evitar os palpites, os olhares aflitos, as sugestões miraculosas. Maria emagrecia.

Fui ao Banco de Leite, que ajuda muita gente. Avaliaram a pega, a língua, a posição, a mamada... Era leite pra todo lado. Saímos banhadas e sem respostas. Por que ela chora tanto?

Eu respondia que ela estava aprendendo a mamar, mas eu sabia que não tinha nada normal no nosso processo. Ela estava emagrecendo, mas eu insistia em esperar a consulta com a pediatra.

Cheguei na clínica com medo da balança, tão angustiada que esqueci a bolsa de fraldas em casa. A pediatra nos atendeu com preocupação, mas principalmente com afeto e confiança. Eu tenho certeza que de qualquer outro consultório eu teria saído com uma receita de leite artificial. Ela me disse que era possível complementar com meu próprio leite e sugeriu outra visita da consultora em aleitamento.

Naquela tarde, a consultora me ligou e à noite estava na minha casa. Constatou que o fluxo muito intenso e o peito cheio, grande, pesado estavam dificultando o trabalho do bebê. Me ensinou técnicas de manejo para resolver o problema, mas não era o suficiente para aquele momento. Entramos em um regime de engorda-bebê.

Compramos uma máquina extratora de leite materno e usamos todas as técnicas que aprendemos com a consultora. No primeiro dia, bico artificial de silicone, para sair do estado crítico. Depois, fizemos translactação - amamentação com sonda complementando com o leite extraído nos intervalos das mamadas. O pai ajudava alimentando com o copo ou com o dedo através da sonda, e assim eu conseguia dormir.

Deu certo.

Criança engordando, amamentação funcionando, deixei de ordenhar com a máquina pra não estimular ainda mais a produção. Todos os dias fazia ordenhas de alívio que diminuíam um carocinho no seio esquerdo até quase sumir, mas não conseguia eliminar tudo.

Até que ele parou de diminuir e passou a aumentar. Falei com a consultora, que me orientou com massagens, compressas e mil cuidados para não virar uma mastite. Mas depois de aumentar, começou a doer, e quando passou a doer o tempo todo, fui no Pronto Atendimento.

Por cinco dias, eu não tinha mais acesso ao GO de plantão. Cheguei já com um pequeno abcesso, que a médica concluiu que era leite, porque do peito saía leite. Voltei pra casa pra fazer o que já estava fazendo e voltar se tivesse febre.

Dois dias depois, tive febre. Fui atendida por outra médica que parecia nunca ter visto uma mastite, mas pelo menos soube identificar a primeira que viu. Receitou os antibióticos, fez consulta de sangue e, em consulta com outro médico que nunca me viu, concluiu que não seria necessário drenar. Marquei consulta com o meu GO para a semana seguinte.

Dois dias depois, tirei o seio para amamentar e tive a impressão de que estava prestes a explodir. Latejava e tentar amamentar era inútil porque o bebê não aceitava.

Fui para o hospital pedir ajuda, chorando e tremendo, e senti a pior dor da minha vida no procedimento de drenagem. Muito pior do que parir sem anestesia. Foi a penúltima dor - ainda teve uma Benzetacil - seguida de vários dias de opióides. Meu médico me receitou mais antibióticos. Seguimos com a amamentação, com curativo e tudo.



75 dias pós parto, acordo de madrugada com muito frio. 39° de febre e nenhuma causa aparente, inclusive os peitos estavam bem. Dengue não era. Fui pro hospital e voltei sem respostas. À noite, durante a ordenha manual, secreção no mesmo seio da primeira mastite. Retornamos com o protocolo de antibióticos, e foi tudo mais tranquilo dessa vez.

Tive dengue, desidratei e transformei soro em leite. Nunca deixei de amamentar, nunca deixei de ter leite. Concluímos seis meses de aleitamento materno exclusivo com um sentimento de vitória.



Forte como uma mãe! Foi por essa força, por não desistir, insistir e até amamentar que prosseguimos com a amamentação até hoje. Valeu a pena toda essa força. Tenho muito orgulho da minha história, de ter passado por todos esses perrengues sem desistir, e hoje faço o possível para encorajar outras mães à amamentação.

Há 19 meses amamento a Maria Elisa e estamos muito satisfeitas com a nossa relação. Ela sabe que "a teta é da mamãe", e atualmente só quer mamar na cama, quase sempre para dormir. Se já pensei em desmame? Oh! Várias vezes... mas o pensamento passa e a vontade de continuar amamentando permanece. Eu amo os nossos momentos de tetê e não acho que essa história vai terminar tão cedo...

Em 2020 a gente ouve podcasts

Quando tudo nessa internet era mato, os produtores de conteúdo escreviam em blogs como esse. A blogosfera ainda existe, mas a gente sabe que isso aqui já foi muito mais frequentado e badalado. Vieram os youtubers e os influencers digitais nas redes sociais - e muitas vezes todas essas personalidades eram diferentes interfaces da mesma pessoa, tanto é que o termo "blogueiro" continua sendo utilizado, até pra quem nunca teve um blogspot. 


Agora todo mundo ouve podcast. Não que essa mídia tenha surgido agora. Assim como o Youtube e outras mídias, tudo sempre esteve lá. A diferença é que agora o público está lá também. Consequentemente, muita gente está migrando para os podcasts e muita coisa legal tem surgido em áudio.

Eu ouço podcasts no carro ou quando me ocupo com tarefas domésticas, aquelas que a gente faz em piloto automático. Durante as férias, fizemos muitos quilômetros de carro e muitos deles foram ao som de podcasts. O legal do podcast em viagem é que rende muito assunto pra conversa no carro.

Nerds de política que somos, estamos maratonando o Presidente da Semana, um programa que apresenta uma pequena biografia de cada um dos presidentes do Brasil, com foco, é claro, no tempo de mandato. O último episódio foi lançado dia 30 de outubro de 2018, sobre o presidente eleito.

Ouço muitos podcasts de teologia, como o Baixo Clero, os programas da Glocal e do BTCast, um dos maiores podcasts do Brasil. Algumas igrejas disponibilizam o sermão de domingo em formato de podcast. Eu gosto da Igreja Red e A Casa da Rocha.

É claro que na minha lista também tem podcast sobre parentalidade. Tricô de Pais e Paizinho Virgula são os que eu mais tenho ouvido. Child of the Redwoods (em inglês) é de uma mãe homeschooler montessoriana, o primeiro que resolvi assistir e que me fez gostar desse tipo de mídia.

Sobre os mais variados assuntos, recentemente passei a ouvir e gostar do Mamilos, que por sinal é muito famoso, o podcast da Ana Soares, Moda pé no chão, que eu já maratonei; o podcast da TAG, um clube de leitura, e dois podcasts de notícias: Café da manhã e Durma com essa, porque é difícil acompanhar o que está acontecendo no mundo com um bebê em casa.

Confesso que a lista é curta porque essa mídia ainda é novidade pra mim, mas eu estou gostando muito mais dessa moda do que dos youtubers. Não tenho paciência pra ficar assistindo vídeo, mas ouvir podcast é diferente. Eu não gosto de ficar presa à tela, nem de pensar que estou perdendo alguma coisa porque não estou assistindo, só ouvindo o vídeo. O podcaster só me dá o que eu pedi: o áudio.

Você gosta de podcasts? O que você tem ouvido?

Os ultrajovens merecem respeito

No  final dos anso 90 havia um programa infantil em que as crianças hackeavam a transmissão da TV para exibição do programa pirata do seu clubinho, o Comitê Revolucionário Ultra Jovem. O bordão do CRUJ era Eu sou ultrajovem e mereço respeito. Mais de vinte anos se passaram e os ultrajovens ainda não conseguiram o respeito da população.


Do alto do nosso cérebro adulto, supostamente plenamente desenvolvido e equilibrado, interpretamos as ações e reações das crianças como desafios à nossa existência e sacrificamos a existência e a dignidade delas o tempo todo, muitas vezes sem motivo algum. 

Não damos privacidade a uma criança em troca de fralda. Não perguntamos o que ela quer comer, ou quanto ela quer comer porque não nos importamos se ela quer comer, mas tão somente em cumprir o nosso papel de alimentar. Qualquer expressão de personalidade da criança é má-educação.

Em 1990, pela primeira vez a lei brasileira afirmou que as crianças são pessoas com direitos como todas as outras pessoas, e outros ainda em razão da sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. Uma pessoa em desenvolvimento não é meia-pessoa ou quase-pessoa. É uma pessoa.

A nossa convivência com as crianças será mais pacífica quando os adultos tiverem maturidade suficiente para entender que crianças são crianças e crianças são pessoas. Os ultrajovens merecem respeito.

CRUJ, CRUJ, CRUJ, tchau.

Livros lidos Janeiro 2020

Cumprindo a meta ousada de ler um livro por semana, começamos o ano muito bem. Foram cinco livros (talvez seis, se eu terminar uma leitura hoje) com temas bem diferentes.


A economia da justiça (Richard Posner) 

Comecei a ler ano passado depois de muito tempo sem nenhuma leitura técnica. Sabe a primeira vez que você conversa com um adulto sobre assuntos de adulto depois da licença maternidade? Demorei bastante pra pegar o ritmo da conversa, mas ao mesmo tempo me senti aliviada em colocar o cérebro pra funcionar.
O livro apresenta a teoria da justiça segundo a análise econômica do Direito, usando o critério da eficiência para justificar as decisões. Apresenta uma análise histórica sobre como esse critério foi utilizado desde as sociedades primitivas, e depois traz alguns casos jurisprudenciais mais recentes.
Talvez eu esteja fazendo uma leitura muito superficial do tema, mas durante a leitura do livro eu me peguei usando, automaticamente, o critério da eficiência algumas vezes, e nem sempre cheguei num resultado que eu \consideraria moralmente justo, porque o critério da eficiência desumaniza um bocado as relações em jogo. Pode ser muito útil em centenas de casos, mas existem muitos outros em que não dá pra discutir em termos de riqueza, os valores são muito mais elevados do que simplesmente dinheiro.
O livro é da coleção Biblioteca Jurídica WMF. Brochura simples, com folha branca e fonte serifada. É daqueles que não ficam abertos onde você deixou. Não tive problemas com a tradução nem com a revisão. Exceto pela qualidade do material gráfico, foi tudo muito bem produzido.

Viagem ao centro da terra (Julio Verne) 

Estou aumentando o meu repertório de leitura na ficção científica. Sempre gosto de ter algum livro de ficção para uma leitura mais leve, mas não foi bem esse o caso. Apesar de trazer uma história muito interessante, o estilo do livro não é tão narrativo. Se você se distrair, vai esquecer que é ficção.
O livro é a narrativa do sobrinho e assistente de um cientista alemão que descobre uma pista sobre uma passagem que leva ao centro da terra e resolve testar essa teoria indo pessoalmente em uma expedição.
A história narrada em primeira pessoa não poupa de detalhes científicos que, apesar de fictícios, são realistas e muito verossímeis, assim como algumas publicações de "artigos científicos". A ideia de um submundo pré-histórico (ou antidiluviano, na linguagem utilizada na época em que o livro foi escrito) parece tão interessante que eu estou pensando em adotar como o meu terrabolismo.
O livro é da coleção de Clássicos da Zahar. Edição ilustrada com capa dura, miolo em papel offwhite e fonte serifada. A ilustração de capa é linda, em laranja e azul bem contrastante. Um trabalho primoroso da Zahar, agora incorporada à Companhia das Letras, que continuará produzindo a coleção. 

Líderes que permanecem (Dave Kraft) 

A última leitura do ano do Clube do John, o nosso clube do livro, que eu não consegui nem começar a tempo do encontro (foi mal, galera), mas li nas férias.
Um livro curto e objetivo sobre a experiência de um pastor veterano que trabalha exclusivamente com mentoria de líderes cristãos.
O assunto é interessante, mas não tem muita novidade a ser dita sobre o tema. É uma boa leitura para relembrar algumas questões que vão se perdendo no dia a dia e despertar algumas mudanças, aquele reajuste que periodicamente precisamos fazer para voltar ao trilho da melhor conduta. O que me chamou a atenção na leitura é que o autor apresenta um monte de dados e estatísticas sem fonte nenhuma (ou, segundo o twitter, fonte: vozes na minha cabeça), aquele discurso bem tiozão que fala uma estatística aleatória que ouviu na rua para confirmar o seu discurso. Desnecessário.
Brochura simples da editora Vida Nova, com miolo em folha branca e fonte serifada em tamanho grande. Capítulos curtos e linguagem simples, narrativa em primeira pessoa.

As cinco linguagens do amor das crianças (Gary Chapman e Ross Campbell). 

Eu gosto muito do livro As cinco linguagens do amor, do Gary Chapman, que acabou se tornando uma "franquia literária", convidando "especialistas" para aplicar e traduzir as cinco linguagens do amor em contextos diversos do relacionamento romântico. Eu já tinha lido a versão para adolescentes e ultimamente tenho lido (e comprado) muitos livros no tema da infância. Tanto que dei um tempo com os três livros acima, mas já estava pronta para retomar ao assunto.
O livro fala sobre os relacionamentos entre pais e filhos e como demonstrar amor de modo que o seu filho se sinta amado. Chama a atenção para o fato de que a comunicação do amor precisa atender ao modo como o outro entende o amor, e não apenas ao modo como você acha que as pessoas devem ser amadas. As cinco linguagens do amor são apresentadas em capítulos separados, com exemplos práticos, de forma bem didática. Os capítulos finais aplicam o tema das linguagens do amor a situações específicas: disciplina, aprendizado, ira, maternidade/paternidade solo.
O que eu mais gostei desse livro é que traz muitos exemplos, muitas sugestões e ideias de como demonstrar amor. Você não precisa ficar refletindo "e agora, como vou aplicar isso na minha vida?" porque já tem um monte de ideias, não só as que o livro trouxe, mas outras derivadas dos exemplos do livro. O capítulo sobre a disciplina foi péssimo, e não digo isso somente por causa do meu ponto de vista sobre o assunto. Parece que os autores não concordam sobre o tema da disciplina, porque ficou bem contraditório. Algumas condutas são criticadas, e depois estimuladas, ou passam panos quentes sobre questões "disciplinares" que definitivamente não comunicam amor, mas que são utilizadas e muitas vezes incentivadas nas famílias conservadoras. Nesse intuito de não desagradar ninguém, o capítulo inteiro ficou uma porcaria sem sentido.
A edição em brochura simples da Mundo Cristão tem miolo em papel polen soft e fonte serifada. Com exceção dos trechos em que claramente não há consenso entre os autores do livro, a edição está bem feita e bem escrita. Pouco se nota sobre o que foi escrito por um ou por outro.

O rei das fraudes (John Grisham). 

John Grisham é praticamente a "literatura de banca" em versão jurídica. Não é bom, mas eu curto como entretenimento. No fim das férias, eu só queria isso.
O livro conta a história de um advogado meio loser que recebe de presente um caso de ação coletiva, dando uma guinada na carreira dele. O personagem passa a lidar com vários casos parecidos, ganha muito dinheiro, fica muito famoso, mas depois acaba sendo processado pelos próprios clientes e vai à falência.
Passei o livro todo torcendo pelo infeliz do Clay Carter, que parece estar tomando todas as melhores decisões na primeira metade, mas depois só faz besteira atrás de besteira. Você está vendo a decadência da pessoa ali na frente e já sabe como a história termina, mas mesmo assim torce pelo infeliz. O pano de fundo das ações coletivas é uma discussão jurídica séria e importante, mas acaba se perdendo em uma tradução ruim, a começar pelo título. "Fraude", na nossa tradição jurídica, está ligada ao estelionato, que não é nem de longe o que o personagem faz. Passei um tempo considerável confusa sobre o título até a ação coletiva entrar na jogada. Quem não está familiarizado com o termo tort talvez nunca entenda a referência.
As brochuras da Rocco são sempre ruins, especialmente essa de quase 400 páginas. A capa está soltando, bem típico dos livros dessa editora. O miolo é em folha branca simples e fonte serifada. Eu gosto da arte da capa e queria que eles continuassem a editar os livros do autor nesse padrão, mas parece que já voltaram ao padrão antigo (que é nenhum). A tradução me incomodou demais. É ruim mesmo. Quase todos os termos jurídicos estão mal traduzidos, e mesmo algumas expressões foram traduzidas literalmente, de modo que não fazem sentido nenhum em português. Ruim que chega a doer. Me lembrou as traduções que a gente fazia na adolescência, talvez até pior. Um péssimo trabalho. Parabéns aos envolvidos.

Guia AnnieEscreve #3

O primeiro mês do ano já passou, daqui a pouco já é Carnaval. Como estão as suas metas? Já deu o primeiro passo? Eu ando muito focada em alguns objetivos de médio prazo. Entre estudar, trabalhar e cuidar da minha vida, os textos do blog saem nos intervalos... e eles têm saído com mais frequência do que eu esperava. Parece que quando a luz da produtividade acende, qualquer "quinze minutinhos" rende muita coisa. Com você também é assim?


Começamos a temporada falando sobre livros, ou melhor sobre livros grandes. Na véspera do Dia Mundial contra o Câncer, saiu aquele texto contando o que você precisa fazer para doar cabelos para fazer as perucas dos pacientes que perderam o seu durante o tratamento. O texto de domingo chamou a atenção de muita gente e se espalhou pelas redes sociais antes mesmo que eu o divulgasse. O sexto mandamento fala sobre as pessoas horíveis e como essa condição é necessária para chegar ao céu. Na terça-feira, resolvemos tretar com todo mundo de uma vez. O poder do botão vermelho era pra ser só um texto sobre publicidade infantil, mas acabou disparando treta pra todo lado. Acabamos um pouquinho mais leves, mas não tanto, com "Não repara a bagunça", essa frase que eu detesto.

Eu praticamente não ouvi música nessas últimas semanas. Durante o trabalho, percebi que quando me concentrava no texto, esquecia do som ambiente. Por outro lado, quando a música chamava a minha atenção, me tirava o foco completamente. O mesmo acontece quando estou estudando, por isso deixei de lado esse hábito. Engraçado que em outros tempos a música ajudava a evitar as distrações... como a gente muda, né?

Muita gente ouve música quando está envolvido em atividades mais automáticas, como a limpeza da casa. Eu tenho aproveitado esse tempo para colocar as séries em dia, assistindo as séries que voltaram do hiato. Dá pra distribuir tranquilamente durante a semana, eu assisto como as pessoas veem novela - fazendo o jantar, varrendo a casa, televisão ligada... 

Duas séries que assisto estrearam novas temporadas em janeiro. Switched at Birth voltou depois de mais de um ano para a temporada que encerra a série e olha... está uma 💩. Se você estava pensando em talvez abandonar, nem comece. Por outro lado, Scandal, uma série que vinha capengando há umas duas temporadas, deu uma guinada no final da temporada anterior e em janeiro iniciou a nova temporada com aquela qualidade que estava fazendo tanta falta.


Tive um pequeno desentendimento com a nutricionista, me exigindo pelo menos uma hora de atividade física porque, nas palavras dela, você só começa a queimar calorias depois de quarenta minutos. O detalhe é que depois de vinte minutos fazendo Blogilates eu estou M.O.R.T.A. Mal consigo chegar aos quarenta, não faço uma hora nem... que a vaca tussa 😝




Conversei com algumas pessoas e acabei descobrindo esse canal Autoridade Fitness que explica direitinho como funcionam os diferentes tipos de exercício e porque a nutricionista estava errada. Por causa dela, eu cheguei a trocar os trinta minutos de calistenia (agora sei o nome técnico) por caminhadas de uma hora, mas fiquei muito desestimulada com a falta de reação do corpo. Depois que você se acostuma a sentir as dores do fortalecimento muscular, parece precisar delas...

Terminei de ler Caim, de Saramago, e tenho a dizer que não gostei muito, não. Inclusive sei o motivo. Eu gosto muito dos romances do autor exceto O evangelho segundo Jesus Cristo... e Caim. Não gosto de como ele retrata os temas bíblicos, me irrita como ele vai distorcendo as histórias e dando características e motivações equivocadas aos personagens. Os questionamentos de Caim (e do autor, suponho) não são nada profundos, nem impactantes, sequer inovadores. Com dois dedos de teologia toda a crítica dele se desfaz em poeira. No fundo, acho que o erro do autor está em tentar falar sobre o que não conhece, como se conhecesse mais do que todo mundo.


Não repara a bagunça

No sistema Flylady, um método de organização doméstica americano, fala-se que o objetivo da organização é tirar a casa do CHAOS. Nesse contexto, CHAOS não é simplesmente a palavra inglesa para caos, mas o acrônimo para CAN'T HAVE ANYONE OVER SYNDROME. Traduzindo literalmente, é a Síndrome do não dá pra receber ninguém em casa, mas que na nossa cultura super acolhedora acaba se revelando mais no tal do NÃO REPARA A BAGUNÇA.


Há um certo prazer em proferir essa frase. Se a casa está bagunçada, a culpa é de quem reparou. Afinal, ninguém vai bater a porta na cara das pessoas por causa da bagunça, mas cada um será responsável por fazer cara de paisagem para o sutiã largado no braço do sofá. Quando a casa está arrumada, fala-se mesmo assim. "Não repara a bagunça", pro outro dizer "Imagina, nem está bagunçado... bagunça é o que eu tenho lá em casa...". Ou seja, não é nenhum pedido de desculpas, nem nada. Só a deixa para o outro elogiar a limpeza da casa da vizinha.

Eu me sinto desconfortável nessas danças da sociedade brasileira feminina, isto é, as regras não escritas que cada mulher precisa cumprir quando visita a outra ou quando recebe uma visita. Por exemplo, de ter que arrumar um elogio para a casa quando ouvir o "não repara a bagunça", e fazer aquele esforço pra não reparar - esforço desnecessário se ninguém tivesse tocado no assunto. Há também aquela dança do lavar a louça, que eu detesto - trata-se da "briga" entre visitante e anfitriã sobre quem lava a louça, como se uma quisesse mais do que a outra, quando na verdade ninguém quer lavar louça nenhuma (a situação é parecida quando saem pra jantar duas famílias e os dois machos-alfa "querem" pagar a conta, mas na verdade querem mesmo que o outro pague).

E tem aquela mania de limpar a casa porque está vindo visita. Não estou falando de uma ocasião especial - dar uma festa, convidar o chefe pra jantar, receber um cliente... Claro que existem situações que exigirão um pouco mais de empenho do que aquele do dia-a-dia, mas o que me incomoda em limpar a casa das visitas é: por que a visita merece uma casa mais limpa, organizada, cheirosa e arrumada do que as pessoas que vivem ali?

A casa - a sua limpeza, organização etcetera e tal - existe pra quem mora ali, não pra quem vem de vez em quando. Precisamos chegar àquele ponto de equilíbrio em que a manutenção da casa não custa tanto que é impossível desfrutar dela - aquelas pessoas que gastam todo o seu tempo livre limpando e não podem deitar no tapete pra ler um livro. Precisamos de uma casa com a qual a gente se identifique a ponto de não sentir nenhum constragimento de mostrar às pessoas: é assim que eu vivo. 

Eu gosto do sistema Flylady porque ele divide as tarefas domésticas no decorrer da semana, fazendo da limpeza e organização da casa um serviço de manutenção e não uma força-tarefa semanal. Isso significa que todos os dias a minha casa me serve, e isso me dá tranquilidade para receber alguém sem me importar com as teias de aranha que se formaram na sapateira durante a semana. Eles não merecem uma sapateira limpa mais do que eu, que moro aqui... e eu já agendei essa tarefa pra amanhã.

O poder do botão vermelho

Publicidade, mídia, propaganda, oferta, consumo. Essas palavras hoje soam quase como ofensa aos ouvidos mais politicamente corretos. A publicidade não tem escrúpulos. A mídia é vendida. A propaganda é apelativa. A oferta é escandalosa. Consumo é quase pecado.

Temendo os grandes vilões da atualidade, as mentes pensantes, que parecem ter interrompido prematuramente o seu pensar, exigem medidas incisivas. De quem? Do Estado. Onde estão os órgãos reguladores? Por que o governo não toma uma providência? Como é que deixam isso assim, na nossa cara? E agora, quem poderá nos defender?

Fomos mimados com tanto Estado. Ficamos acostumados a permitir que outros decidem o que pode ou não pode entrar/acontecer/permanecer nas nossas vidas que esquecemos que existem outros meios, muito mais simples e empoderadores (já que vocês adoram essa palavra), do que simplesmente esperar que o Estado decida o que vamos assistir ou não.


O poder em suas mãos

Antigamente era mais difícil. As pessoas precisavam levantar do sofá, dar alguns passos, apertar um botão, às vezes o botão emperrava... Hoje em dia o botão vermelho está aí, ao alcance da mão. Não gosta, não quer ver, não acha que isso tem lugar na sua casa? Desliga a tela.

Parece, só parece, que as mídias tomaram o controle sobre as nossas vidas. Você comenta sobre um produto perto do celular e aparece um email com uma promoção. A televisão fica ligada durante todo o tempo em que as pessoas estão em casa, divulgando produtos que você precisa ter se quiser ser tão legal/bem-sucedido/famoso quanto o cara da propaganda. Há quem diga que não dá pra viver sem celular, computador, internet, como se a espécie humana fosse a última novidade do universo.

Não dá pra negar que as mídias exercem uma influência exagerada sobre a vida de muitas pessoas. Não dá pra falar que ninguém está imune a isso. Qualquer pessoa, se não estiver atenta, pode se deixar influenciar pela televisão, pelos algoritmos do Facebook, pelos anúncios em outdoor, as vitrines tão cuidadosamente elaboradas, e não só por "eles". 

Somos influenciados pelo que dizem os amigos, pelos costumes da nossa mãe e pelo que ouvimos sem querer de um desconhecido no ponto de ônibus. Todas essas informações entram no nosso arquivo interno e de alguma forma, com surpreendente facilidade, acabam fazendo parte de um processo decisório.

Mas sabe o que é mais importante? O poder nunca saiu das suas mãos. É você quem escolhe, conscientemente ou não, quem teerá mais influência sobre você, e principalmente que tipo de informações você vai capturar, absorver. O domínio sobre as vontades é um sinal de maturidade. Somos adultos, certo?

E os pequenos?

É covardia, sim. É sacanagem. É apelação. Propaganda direcionada a crianças que ainda não conseguem distinguir o querer do precisar, muito menos têm maturidade para classificar corretamente o que quer e o que precisa. É uma falta de vergonha. Mas quem disse que a família precisa ficar refém dos publicitários? Ou melhor, quem disse que a gente precisa de uma lei pra proteger as crianças - e os bolsos dos pais - contra a propaganda abusiva?

O botão vermelho tem poder. Quem tem o botão vermelho é quem manda. A pergunta que fica é: quem é que manda aí? "Ah, mas não é fácil...", mas não é fácil, mesmo. Se fosse fácil alguém já estaria cobrando impostos, exigindo mensalidade... se fosse fácil as taxas de fertilidade não estariam caindo no mundo ocidental. Se a parte difícil da maternidade desaparecesse, cada um teria uns quinze em casa, não é mesmo? Não é fácil, não. É difícil. Mas e aí? Desistir não é uma opção e coisas difíceis não são impossíveis - são recompensadoras.

Os pais - ou quem quer que sejam os cuidadores, permanentes ou temporários - precisam ter o poder sobre o que as crianças estão fazendo. Quanto menor a criança, menor a autonomia. "Deixar" a criança decidir parece coisa de pais maneiros, mas acaba se tornando um fardo para o pequeno que não tem maturidade para carregar essas escolhas. Decidir é estressante. As crianças precisam aprender a decidir, mas primeiro elas precisam ver como um adulto decide.

Como eu sei que é possível controlar a televisão das crianças? Porque lá em casa quem controlava eram os meus pais. Dragon Ball? Nunca vi. Nenhum tipo. Meus pais não gostavam desse desenho, por isso a gente não podia ver. Eles decidiam. Na hora de Dragon Ball, era hora de trocar o canal ou desligar a TV.

Sim, desligar a TV! Mas o que as crianças vão fazer? Vão me atrapalhar, vão fazer bagunça? Deixa a molecada brincar, meu povo! Ao contrário da televisão, ao mesmo tempo limitadora e hiperestimulante, a imaginação não tem limites, não acaba a pilha, não gasta energia elétrica, estimula a criatividade... Imaginação é a vida da criança! A criança não mudou dos anos 90 pra cá, nem dos anos 70 até os dias de hoje. Criança ainda é criança, criança sabe brincar.

Ah, mas eles vão chorar. Ah, mas não dá pra controlar tudo. Ah, mas eles vão ficar irritados. Eventualmente. Vai acontecer. Frustração faz parte da vida. Proteger as crianças das frustrações da vida, menores ou maiores, faz é mal. A gente protege das consequências, tenta evitar males maiores, desnecessários, inadequados para o nível de maturidade, mas não dá pra criar um filho em uma redoma.

Imagina você crescer num problema de física, em que os cavalos são perfeitamente esféricos, o atrito é inexistente e a força da gravidade é exatamente igual a 9,8m/s²... aí, do nada, te jogam no mundo real, cheio de imperfeições, sem pai nem mãe por perto, só porque agora você é um adulto. Como ser adulto se não lhe foi dada a oportunidade de crescer? Isso é cruel.

Mas por que não apelar pro Estado? Não é pra isso que ele serve?

Primeiramente, não. Não é pra isso que ele serve. O Estado não é o grande resolvedor de problemas, não é a válvula de escape da nossa vida, não é o gênio da lâmpada, nem o gerador de felicidade e bem-estar para o ser-humano. O Estado existe para proporcionar segurança, ordem pública, um pouco de paz nas relações humanas. Tudo isso interferindo o mínimo possível na vida privada das pessoas.

Isso significa que, quando o Estado investe em educação, saúde, infraestrutura etc, ele não está exercendo a sua finalidade principal, mas sim, de forma indireta, contribuindo para a ordem pública, segurança, civilidade... e é por isso que é possível ter escolas e hospitais particulares, mas não pode fundar a sua própria polícia ou exército.

O Estado é um bichinho que gosta de controle. Sabe aquela pessoa que você dá a mão e ela quer o braço? Pro Estado, você dá a mão e ele vai direto na veia. Não dá pra bobear. Ficar pedindo pro Estado fazer coisas pra gente é permitir cada vez mais que ele controle a nossa vida - e a das outras pessoas, por tabela.

É como quem mora com a mãe depois de adulto, que tem que seguir as regras da casa "enquanto você estiver debaixo do meu teto e comer a minha comida", a diferença é que com o Estado as regras da casa também ficam valendo pros seus amigos, vizinhos, toda aquela galera do seu Facebook que não tem nada a ver, que não pediu isso, mas né, tem que obedecer.

Você pode aproveitar todo esse movimento de empoderamento pra se empoderar frente ao Estado, parando de esperar que ele faça as coisas que você pode fazer simplesmente porque você paga os seus impostos e porque o Estado assumiu como obrigação. E também parando de pedir que o Estado cresça e se apodere mais e mais das relações privadas.

Empodere-se: aperte o botão vermelho.

O sexto mandamento

O senso comum nos leva a crer que somos boas pessoas. Nunca matei, nunca roubei. Eu cumpro os mandamentos. É muito fácil chegar à conclusão de que somos bons. Basta olhar em perspectiva, nos comparar com outros humanos, gente pior do que nós. Somos boas pessoas. Somos pessoas boas.

Somos?


O cristianismo como prática de vida - e não como mera religião - tem como premissa a ideia oposta: somos todos pessoas horríveis. Isso porque o cristianismo não compara o homem de bem com um estuprador, um ladrão, um corrupto. A escala de excelência tem como padrão a medida de Cristo, e perto de um Deus que é santo, somos todos pessoas horríveis.

Temos a tendência de achar que fazemos grande coisa quando não fazemos mais do que a obrigação. Procuramos elogios e recompensas em troca do mínimo que se espera de uma pessoa de bom senso. Cristo elevou o padrão da conduta moral, e isso significa que ser cristão é brincar no jogo da vida no modo hard.

Veja, por exemplo, o sexto mandamento, que a nós parece muito fácil de cumprir. Não matarás. Eu nunca matei ninguém, e espero que você possa dizer o mesmo sem incorrer em falso testemunho (aí já são dois pecados...). Na maioria das vezes e para a maioria das pessoas, é muito fácil não matar alguém (ainda bem!). E isso nos faz pensar que somos pessoas boas.

A gente se irrita, xinga de tudo que é nome, dá uns socos na parede, sai pra espairecer, grita e vocaliza a raiva para o nada, quebra uns copos na parede... tudo isso pra aliviar a vontade de agir contra o outro. Vontade dá, mas passa. A gente até visualiza como seria torcer aquele pescoço com um prazer mórbido que chega a assustar. Mas nunca passou disso. Então somos boas pessoas.

Até que Jesus tornou as coisas difíceis.

No Sermão da Montanha, Jesus explicou que cumprir regras é muito fácil, o que Deus deseja de nós é uma justiça mais elevada, uma moralidade mais rígida, um domínio não somente sobre aquilo que externalizamos, mas também sobre as nossas vontades. 

O cristianismo exige uma interpretação mais ampla sobre os dez mandamentos, porque o padrão de excelência aqui não é o homem de bem, mas o próprio Cristo. Quando Jesus amplia o tipo legal do sexto mandamento, iguala o assassínio a toda e qualquer ação capaz de destruir a vida de outra pessoa - inclusive se essa ação só aconteceu na sua imaginação.

Disse Jesus que, se você se irritou contra alguém, o mandamento já foi violado - você não voou no pescoço dela, mas desejou que ela morresse, ou ainda, desejou matar. Você não a feriu fisicamente, mas disse coisas horríveis que vão render dez sessões de terapia. Você deu um soco na parede para não socar a pessoa, mas não importa. Isso não faz de você um bom cristão. Apenas uma pessoa de bom senso. Na lógica de Jesus, socar a parede vale tanto quanto socar a pessoa, porque o seu coração foi manchado pelo ódio.

Na ótica de Jesus, tão assassino quanto aquele que dá um tiro é aquele que trata o outro como se não fosse uma pessoa. Matam os responsáveis pela tragédia ambiental que destrói a vida de uma população, ainda que todos tenham "sobrevivido". Mata quem despersonifica o outro. Mata quem tira a paz, quem torna a vida do outro insuportável. E é tão culpado de morte aquele que nunca fez nada disso, mas desejou fazer.

É importante que a gente tenha consciência da nossa condição de pessoas horríveis, porque pessoas boas não vão para o céu. Nada que o homem de bem possa fazer será suficiente para garantir o seu bilhete de entrada. Somente pessoas horríveis sabem que precisam da graça e da misericórdia de Deus, manifestados no sacrifício de Jesus, para obter o passaporte para o céu. Somente pessoas horríveis oram "Tem misericórdia de mim, pois sou pecador", e saem justificadas.

Doando Cabelos

Vocês já sabiam que eu estava há algum tempo querendo cortar o cabelo. Decidi fazer o corte para doação quando vi na página do salão onde iria cortar algumas publicações sobre este trabalho. Desde aquele dia, muita gente fez perguntas sobre o processo, e achei importante escrever sobe isso, mesmo porque as informações não são muito fáceis de encontrar.


O cabeleireiro que fez o meu corte já conhecia o procedimento, por isso não precisei explicar nada, apenas indicar a altura do corte. Ele separou o cabelo em mechas, amarrou com elástico de borracha (esses que prendem dinheiro) e cortou. 

Importante: tenha em mente, especialmente se seu cabelo é cacheado, que a altura que você indica para doação não é a altura do resultado final. O corte para doação retira o comprimento, depois você ainda perde alguns centímetros para acertar o penteado. Se não quiser cortar demais, peça uns três dedos abaixo do tamanho que você pretende obter. É importante saber para onde vai a sua doação, porque cada instituição tem regras diferentes sobre os padrões do cabelo a ser doado.

Já contei em outro post que fiz o corte em Curitiba, com intenção de levar para a ONG Atitude na Cabeça. O salão onde eu cortei não faz (ou pelo menos não fazia) a entrega das mechas, por isso eu fiquei com elas para levar pessoalmente à ONG. Por motivos que não são pertinentes, não consegui levar e acabei mandando pelo correio. Na ocasião, a atendente dos Correios me disse que eles não estão mais enviando cabelo humano, não deu detalhes, nem explicações, mas despachou a minha encomenda mesmo assim.

Em Foz do Iguaçu, o Banco de Perucas é administrado pelas senhoras rotarianas em parceria com o Hospital Ministro Costa Cavalcante. As mechas são recolhidas pelo hospital e pelo salão Mulinari Cabeleireiros. Eles mesmos enviam as mechas, mensalmente, para Maringá, onde são confeccionadas as perucas. Também é o Mulinari Cabeleireiros quem higieniza as perucas e faz os cortes e modificações que o paciente escolher.

Os cuidados com as perucas dos pacientes são trabalho voluntário dos profissionais de beleza. Para fazer a sua doação (entregar as mechas), você não paga nada; já o corte de cabelo é o ganha-pão do profissional, certo? O tamanho mínimo para doação é de dez centímetros.

A Atitude na Cabeça aceita mechas a partir de vinte centímetros de comprimento e solicita que elas sejam cortadas com o cabelo seco e limpo. Eles não fazem o corte, apenas recebem as mechas para então confeccionar e distribuir gratuitamente as perucas para pacientes de câncer. O endereço para envio pelos correios é: Rua Francisco Rocha, 1544 - Bigorrilho - Curitiba/PR.

Como eu tenho essa dinâmica de deixar crescer e cortar bem curto, devo repetir a experiência, provavelmente daqui uns três anos. A gente sabe como aquele dia do cabelo bonito faz a diferença na autoestima. Muito melhor é poder compartilhar esse prazer com quem já tem batalhas mais difíceis pra lutar.

Quem tem medo de livro grande?

Por que as pessoas não leem livros grandes? Bom, a maioria das pessoas não lê nem mesmo os pequenos, segundo apontam as pesquisas que são feitas todos os anos. Pra quem nunca lê, deve dar uma preguiça enorme só de olhar pro calhamaço. Até pra quem lê dá uma preguiça, não é não?


O fato é que dá medo de começar a ler um livro enorme e depois não gostar, ou só lá no final descobrir que a história não vai pra lugar nenhum e aquilo tudo foi uma grande perda de tempo. Por isso mesmo que eu vim indicar livros grandes, livros que eu já li e gostei, de ficção ou não. 

Defini arbitrariamente que livros grandes são aqueles com mais de quinhentas páginas. Eles estão divididos por tamanho, em centenas de páginas, depois em milhares (sim, você leu certo!).

Divirta-se!

Guia AnnieEscreve #2

Depois de pegar fôlego por uma semana, tem textos novos no blog 🙂 O que não parou foi a nossa página no Facebook. Tem muita coisa bacana que só é publicada lá, sabiam?

Por aqui publicamos o texto de domingo sobre como é impossível ter um relacionamento com Jesus e não conseguir definir quem ele é. A treta da semana foi sobre a problematização, quem não aguenta mais coloca o dedo aqui. Depois contei pra você como uso a minha agenda e dei dicas para quem está precisando adquirir esse hábito. Foi curtinho, mas foi bom, não foi?


Enquanto isso, assisti o documentário 13ª Emenda (Netflix), que traça uma conexão entre a escravidão, a segregação e o perfil dos presidiários dos Estados Unidos, até o movimento Black Lives Matter. O marido estava lendo A Vida de C. S. Lewis, uma biografia escrita por Arthur McAllister, pensa num livro que eu amo ❤ Nesse embalo, assistimos os dois primeiros filmes d'As Crônicas de Nárnia na Netflix: O Leão, A Feiticeira e O Guarda-Roupa e Príncipe Caspian

Também assisti (e já tá parecendo que não fiz outra coisa na vida hahaha) o episódio piloto de Good Girls Revolt, série que teve a primeira temporada transmitida pela Amazon no ano passado, mas que não foi renovada e agora está em busca de um lar. Estou com esperanças de que alguém produza as próximas temporadas - sim, o piloto foi empolgante. A história é sobre jornalistas no final dos anos 60, época em que as mulheres faziam o trabalho pesado de pesquisa para que os homens pudessem publicar suas histórias. Então, alguém se revolta. Algum dia eu vou querer assistir os outros episódios, espero que não seja só uma temporada #oremos

Ouvi uma vez e não saiu mais da minha cabeça Coisa Linda do Tiago Iorc. Eu gosto das músicas dele, mas detesto os clips. Me dá uma agonia, aquele negócio paradão, aquele homem sem expressão, parece que todo mundo morreu, eu hein. Mas a música é super delicinha! Por causa dessa música eu ouvi pela primeira vez o álbum Troco Likes no Spotify. Sim, eu demoro pra ouvir as músicas "novas", uma resistência com essas novidades musicais...

O que você está lendo? Eu terminei mais dois livros! Sempre tenho uma leitura de ficção e outra de não-ficção, e dessa vez terminei os dois no mesmo dia, o que é meio incomum, considerando o meu método de leitura - não vou explicar, é loucura.

Enfim, Durante praticamente todo o primeiro mês do ano eu li Vivendo com Propósitos, do Ed René Kivitz, que é um livro essencialmente filosófico sobre o sentido da vida, de uma perspectiva cristã. Se você está se perguntando por que você existe, como encontrar satisfação na vida, o que é uma vida bem vivida, pode ser bom começar por este livro.

Na seção de ficção, depois de finalizar o segundo tomo e primeiro volume de Guerra e Paz, li O Salmão da Dúvida, do mesmo autor d'O Guia do Mochilheiro das Galáxias, Douglas Adams.Trata-se de uma compilação de vários textos que ele escreveu: cartas, colunas, artigos publicados em jornais e revistas, entrevistas, enfim, todo tipo de escritos interessantes para conhecer mais sobre o autor e desfrutar do seu estilo divertido, incluindo um rascunho do livro inacabado que empresta o título à coletânea, que só não é ótimo porque não tem um final.

Tenho uma prova importante em abril e estou estudando muito, muito, muito. O Duolingo tá até meio de lado ultimamente. - Mas como é que você assiste e lê todas essas coisas se você diz que está com pouco tempo, e ainda por cima escreve neste blog... - Eu só assisto coisas quando estou fazendo algo mais importante e extremamente necessário (exemplo: lavar a louça, passar tempo com o marido etc.) e todos os dias eu separo uma hora para leitura. Hábito, disciplina, gestão de tempo... só sei que dá certo.

Google Calendar: o guia annieescreve da agenda digital

Eu tenho o hábito de usar agenda diariamente há muitos, muitos anos - desde a época em que as pessoas usam agendas para anotar não apenas as datas de prova e os requisitos do trabalho de história, mas também trechos dramáticos de música romântica e versinhos de amor para os crushes - que naquela época não tinham esse nome.


Por muitos anos usei agenda de papel, e não me incomodava em nada. Há muita gente que até hoje prefere agenda de papel e não há mal nenhum nisso. Inclusive, recentemente voltaram à moda os planners, bullet journals e tudo o mais, que nada mais são do que as velhas agendas de papel mais artesanais, customizadas e, bom, dá um pouco mais de trabalho. Pra quem gosta dessas coisas e se sente estimulado com isso, deve ser ótimo.

Pra quem precisa começar a organizar seus compromissos, parar de perder prazos e fazer a vida funcionar, pode não ser o ideal. Já há uns cinco anos eu passei a usar exclusivamente a agenda digital do Google, que eu considero ideal para quem precisa se acostumar com a ideia de uma agenda.

Por que é melhor que o papel?

Não é mais um trambolho que você precisa levar. A agenda mora na nuvem e pode ser acessada e editada pelo computador e pelo celular, que já é uma coisa que você carrega a todo lugar.

Seus dados estão salvos. Quem não tem o costume de carregar uma agenda pode acabar perdendo a bendita por aí, mas se você é destambelhado até com o celular... não tem problema. Seus compromissos estarão lá e você pode acessar de qualquer lugar.

É facilmente editável. Sabe quando a vida muda? A reunião é cancelada, a secretária do médico liga pra perguntar se pode adiantar a consulta em uma hora, aparece uma coisa mais importante e urgente e você precisa reprogramar tudo o que tinha naquele horário para encaixar esse imprevisto... Não tem problema.

Você não precisa gastar tempo com design, que uma coisa que me irrita um pouco com os bullet journals. Acho lindo e admiro quem tem a paciência, mas se eu vou gastar mais tempo para inserir um compromisso do que participando dele, já não acho produtivo, por mais bonitinho que fique no instagram.

Você pode acessar de qualquer lugar. Basta fazer login no Google. Não sei se já mencionei isso, mas acho importante.

Minhas funcionalidades preferidas

Abre parêntese. Antes de falar sobre o que eu mais gosto, eu preciso dizer que eu não uso todas as funções da ferramenta, não porque esteja subutilizando, mas simplesmente porque são tantas possibilidades, que tem coisas lá que eu não preciso e, por isso, ficam desativadas - por exemplo, é possível visualizar mais de um fuso horário, a previsão do tempo, ou utilizar em conjunto um calendário alternativo, por exemplo, o chinês, mas eu não uso essas coisas. Pode ser que uma das minhas funções preferidas seja inútil pra você. Não tem problema, isso não vai atrapalhar a sua usabilidade. Fecha parêntese.

Múltiplas agendas. Você pode criar agendas diferentes para contextos diferentes e se organizar melhor. Por exemplo, uma agenda só para compromissos pessoais e outra para reuniões de trabalho. As duas aparecerão na mesma tela com cores diferentes, ou você pode ocultar alguma delas se quiser, por exemplo, ter uma visão panorâmica mais limpa das suas reuniões durante o mês.

Agendas compartilhadas. A agenda do Google é ideal para quem precisa compartilhar compromissos com outras pessoas. É muito fácil compartilhar uma agenda com o marido, o sócio, colegas de trabalho/projeto... É aqui que o recurso de múltiplas agendas se torna mais interessante, porque limita os compromissos que você vai compartilhar. O acesso das outras pessoas à sua agenda é definido por você: edição ou apenas visualização.

Notificações. Usar a agenda implica adquirir dois hábitos: anotar e consultar. Muita gente deixa de usar a agenda porque nunca se lembra de olhar a agenda depois e acaba perdendo os compromissos, mesmo tendo anotado tudo. A agenda do Google permite que você configure um alerta, por email ou notificação no celular, para te lembrar desse compromisso minutos, horas, dias antes...

(Não-)padrão de visualização. Geralmente a agendas possuem um dia por página, ou uma semana... Eu gosto da visualização semanal, dá uma boa perspectiva de como estou usando o meu tempo e é a forma mais recomendada para quem usa o método GTD. Mas isso não quer dizer que eu sempre quero visualizar a semana inteira. Às vezes eu quero ver como está o mês. Ou o dia. Um fim de semana. Um período aleatório de treze dias. Tudo isso é possível. É muito fácil configurar. Essa liberdade é sensacional.

Dicas para usar a agenda

Se você não tem treze anos, não use a agenda para anotar recados, escrever letras de música, lista de tarefas ou o que você gostaria de fazer hoje. Agenda é para compromissos. Coloque na agenda tudo o que tem data, tudo o que tem prazo, tudo o que tem hora pra acontecer. Isso dá credibilidade às suas anotações. Se está na agenda é porque precisa ser feito.

Lembre-se dos deslocamentos. Não adianta marcar dois compromissos em lados opostos da cidade em horários subsequentes, você vai se atrasar. Acrescente o tempo de deslocamento quando estiver marcando os seus compromissos, ou pelo menos lembre-se de espaçá-los o suficiente para que sejam viáveis. Não adianta marcar uma agenda cheia de compromissos impossíveis de cumprir. Isso não é produtividade.

Não deixe pra depois. A ideia de carregar a agenda com você é justamente poder usar em qualquer lugar. Quando for marcar alguma coisa, abra a agenda, marque na hora, inclua todos os detalhes de que você vai precisar. Tirar as informações da cabeça é um alívio e a garantia de que você não vai esquecer. Está anotado.

Não é chato quando você está no meio de uma tarefa que vai demorar pelo menos mais uma hora e se lembra (ou é lembrado) de que precisa parar tudo para atender a um compromisso? Crie o hábito de verificar a agenda todos os dias, para poder planejar o seu dia conforme os compromissos marcados e se livrar das notificações (são úteis, mas uma chatice, né?).

Como eu uso minha agenda



Não existe um jeito certo de usar a agenda, existe o jeito ideal e adequado e esse jeito é único para cada pessoa que usa agenda, mas é sempre interessante poder observar os sistemas dos outros, a gente acaba descobrindo soluções para aquelas coisas que sempre incomodaram.

Como podem ver pelas cores, eu tenho quatro agendas no meu setup. As agendas azuis são do meu marido - pessoal e empresa - e eu tenho permissão de edição na agenda pessoal, assim como ele tem na minha. Isso significa que se eu pedir pra ele marcar uma consulta pra mim, ele pode verificar o melhor horário e inserir na minha agenda, ou que quando alguém liga cancelando um compromisso dele, eu posso excluir da agenda, por exemplo. (É sempre bom avisar para as pessoas quando a agenda é alterada).

Eu uso duas agendas diferentes para compromissos fixos e móveis - somente a de compromissos fixos é compartilhada. É a agenda padrão, na definição que dei anteriormente, para inserir apenas compromissos com data, prazo, hora pra acontecer.

A agenda de compromissos móveis é para minha referência. É uma agenda mais flexível, com coisas que precisam ser feitas, mas não necessariamente nesse horário. Ela serve para me lembrar que eu preciso desses intervalos de tempo para fazer coisas importantes pra mim. São compromissos que eu tenho comigo. Como costumam ser só rotinas, geralmente deixo essa agenda oculta e só visualizo quando preciso marcar alguma coisa. É algo que funciona pra mim, mas eu entendo se lhe parece confuso ou desnecessário... como eu disse, uso da agenda é algo bem particular. 

No topo do dia, aparecem os "compromissos de dia inteiro", que é onde eu marco os prazos dos clientes, por exemplo. Também uso essa área para assinalar os dias de férias, congressos e eventos cujo horário ainda não foi decidido... Eu tinha uma agenda do blog também, que usava como calendário editorial, os posts apareciam no "topo do dia", mas desde que passei a gerenciar também as redes sociais eu uso uma planilha pra isso.

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Espero que esse post tenha sido útil pra você. Importante lembrar que estamos sempre aprendendo e descobrindo formas mais eficientes de fazer o que precisa ser feito. Hoje eu faço assim, amanhã espero que esteja ainda melhor. Você tem alguma dica pra mim? Como usa a sua agenda?