O casamento, o sexo e as mulheres

Com o tema do estupro de volta à tona (já perceberam como de vez em quando ele emerge à superfície, gerando uma comoção geral, para depois retornar às estatísticas que ninguém lê?), veio o tema do estupro dentro do casamento.
Uma vontaaaaaade de fazer sexo...

Eu não vou sequer entrar no mérito de que o corpo do marido pertence à mulher e vice-versa. Também não quero discutir se é estupro ou não quando a pessoa não está a fim, mas acaba consentindo.

O que eu quero discutir é o triste fato de que muitas mulheres casadas nunca fizeram sexo por tesão e o quão triste isso é, especialmente porque para muitas essa situação constitui a normalidade. A completa satisfação no casamento encontra barreiras em quatro erros transmitidos de geração em geração.

Encarar o sexo como uma obrigação inevitável

Variando entre a imposição "cumprir o seu dever de esposa" e a ameaça "senão ele vai procurar lá fora", muitas vezes até inconsciente. Quem não conhece uma história "dei pra ele não terminar comigo" ou "pra ele não pensar que eu sou frígida/travada/retrógrada". Obrigou-se a participar de uma relação que deveria ser livre, desembaraçada.
Falando de sexo com Mrs. Kim.
É comum que atividades obrigatórias sejam menos interessantes. A atitude com relação à tarefa obrigatória é negativa. Aquele livro chato que você leu na escola, mas que em uma releitura descobriu que na verdade não era tão chato assim. Fazer algo porque tem que fazer, e não porque quer fazer, já dá um desgosto antes mesmo de começar a tarefa.

Achar que o sexo é para satisfação masculina

Isso não é orgasmo.
Mulher que nunca teve um orgasmo. Mulher que não sabe se já teve (não teve - quem teve, sabe). Mulher que acha que o sexo é só essa sensação interessante, quente, ou até um pouco incômoda com a qual ela já se acostumou. Porque o sexo é aquela atividade que começa quando o homem tem vontade e termina quando ele goza. Bom, não ter que ser. A atividade sexual é muito mais prazerosa quando cada um está fazendo o seu melhor para satisfazer o outro. A busca egoísta Permita-se. Divirta-se. Você também tem direito.

Não conhecer o seu corpo

Divirta-se

Como se divertir se você não sabe do que você gosta? Como ensinar para o seu companheiro o que lhe agrada se nem você sabe o caminho? Claro que você pode fazer uma exploração a dois, mas ela não substitui o exercício de auto-conhecimento que só você pode fazer. Para ganhar mais intimidade com o marido, fique íntima de si mesma.

Não conversar sobre sexo

Mais intimidade, menos vergonha
E fingir que está tudo bem, quando você já sabe que não é bem assim. Converse com o seu parceiro e seja franca com aquilo que você não gosta e com o que você gostaria de tentar. Converse com pessoas que podem ajudar - amiga de confiança, ginecologista, terapeuta. Não adianta apenas reclamar para quem não tem nada a acrescentar, não compartilhe sua intimidade em vão.

Aproveite tudo de bom em seu casamento. Inclusive o sexo.

0 comentários: