Que o equilíbrio esteja com você

O que diferencia os posers dos fãs de Star Wars é a sua opinião sobre a segunda trilogia Luke Skywalker. Fica a dica para você que quer passar por entendido: o cara é um mala. Um protagonista sem sal, mais atrapalha do que ajuda, imaturo, egoísta, bobo, cara de mamão... acho que deu pra perceber que eu não gosto dele, né?
Mocinhos e sua incrível capacidade de provocar loooongos bocejos.
Mas meu problema não é só contra o Andarilho das Estrelas. Na verdade eu não gosto dos jedis. Tenho sérios problemas com a ordem que se diz "do bem", mas tem uns princípios muito esquisitos. Muita gente se comporta como os jedis, parecem boas pessoas, parecem ser "do bem", enquanto contaminam o ambiente com ideias estranhas.

Não há emoção, há paz

Jedis não se envolvem emocionalmente. O código não se refere a emoções "ruins" como medo, raiva, inveja, mas a qualquer emoção, inclusive o amor, a compaixão, a misericórdia. A emoção, qualquer emoção, é considerada um veneno para os jedis, impede a clareza da mente, traz confusão, conflito. Logo, onde não há emoção, há paz. Mas essa não é uma paz verdadeira. Não é a paz que se atinge após a resolução dos conflitos, mas sim aquela paz frágil, existente quando fugimos do problema, das emoções. 

Viver sem envolvimento emocional é solitário, é desumano, é robótico. O agir desprovido de emoções, por mais nobre, útil e generoso, é vazio de sentido, é vão, é insosso. Fugir das emoções não é apenas cansativo, é uma auto-mutilação, é desprezar uma parte importante do que significa ser humano (ou seja lá a espécie dominante no seu planeta). Os jedis consideram essa mutilação um sacrifício, uma elevação, eu vejo uma deficiência.

Não há ignorância, há conhecimento

Os jedis tentam substituir as emoções pelo conhecimento. Colocam-se na posição do observador imparcial positivista, alguém alheio a toda a confusão, com habilidades intelectuais superiores, capaz de tomar as decisões apropriadas, pois não está contaminado com emoções.
Especialidade da casa: péssimas decisões
No entanto, falta aos jedis uma habilidade fundamental: a empatia. Não é possível ter empatia se não sentir. Sendo assim, qualquer decisão, por mais técnica, habilidosa, precisa, pode bater na trave da eficiência pela falta de sensibilidade, por desconsiderar as emoções envolvidas. Nenhum conhecimento técnico pode substituir a emoção, pois apenas com as emoções podemos sentir a dor do outro, calçar os sapatos do outro, compreender, de fato, seu pensar e agir.

Não há paixão, há serenidade

O que move os jedis é o senso de dever. É por isso que eles agem. Eles cumprem missões, realizam tarefas, obedecem ordens. Jedis não são movidos pela paixão, porque isso seria emocional, como se a emoção fosse uma fraqueza, uma rachadura na perfeição por onde pode entrar tudo o que é maléfico, infeccioso, contaminador. É um pensamento patológico, que nos torna menos humanos e mais robóticos, empalidecendo as cores da vida até restar nada mais que uma fria escala de cinzas...

Há quem diga que o código Jedi, com todas as suas restrições, não seja uma barreira à compaixão, pois os Jedis acreditam que todas as vidas são preciosas. No entanto, essa simples crença não se desenvolve à compaixão quando a paixão é negada. Não é possível sentir as paixões do outro se eu não posso sentir as minhas. Nós podemos dominar as emoções quando as exercitamos e as conhecemos, mas quando nos privamos dessas experiências, qualquer pequeno sentimento pode nos dominar.
Tô preferindo a loucura do lado negro do que a frieza do lado claro, luminoso, iluminado, enfim, do que esse lado da força que nem um nome legal tem.
Por isso o pobre do Anakin despirulitou a cachuleta. Tantos anos reprimindo as emoções, que quando ele começa a experimentar uma coisa boa, acabou sendo vencido por ela. Se os Jedis são seres reprimidos, os Siths são seres dominados. Quer dizer, parece que a Força não se dá muito bem com pessoas emocionalmente equilibradas.

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