O dinheiro e o casamento

Os assuntos que evitamos, aqueles dos quais não se fala em particular, muito menos em público, aqueles dos quais nós fugimos, são justamente esses pontos cruciais que colocam muitos casamentos em perigo. Sexo e dinheiro, então, são questões tão íntimas que é até falta de educação falar a respeito. 
Em vez de fugir do desagradável, vamos transformar o assunto desagradável em interessante enquanto falamos sobre dinheiro. (E se você ainda não leu, já começamos a falar sobre sexo aqui). Existem quatro princípios para que o dinheiro se torne uma fonte de qualidade de vida, e não de atrito, para o casal.


Comunhão

Não existe divisão de bens dentro do casamento. Mesmo que o regime seja de separação total de bens, dentro do casamento esse tipo de separação não funciona. Todo o dinheiro que entra pertence aos dois, não importa se um ganha mais que o outro, ou mesmo se apenas um dos dois trabalha. 
Esse arranjo deve funcionar em parceria: se uma pessoa está fora do mercado de trabalho, é para que a outra possa trabalhar tranquilamente, pois sabe que a administração da casa e da família é um trabalho também e que a melhor pessoa para o cargo está cuidando de tudo com amor. Sendo assim, o dinheiro que entra é tanto daquele que sai de casa oito horas por dia, quanto daquele que fica para que o outro assim o possa fazer.

Cônjuge não é sócio, nem colega de quarto. Não é alguém para dividir as despesas, é alguém para dividir a vida. Muita gente vive contente dividindo as despesas da casa, enquanto cada um gasta o seu dinheiro consigo, da forma como acha mais conveniente. Pode funcionar, mas será o ideal? Se os dois juntassem esse dinheiro que sobra, não poderiam fazer algo bem mais legal para os dois?

Transparência

Nenhum casamento está seguro se não estiver firme no pilar da honestidade porque não existe mentira que nunca seja descoberta. Com relação ao dinheiro, a melhor política é a transparência. Quando há transparência, há confiança. Conheço muitos casais em que um não sabe o que o outro ganha, "porque se souber, vai querer saber para onde vai o dinheiro". Ora, se existe lugar melhor para se aplicar o dinheiro, por que não? E se o dinheiro está sendo bem gasto, por que temer?
Quando todo mundo sabe para onde vai o dinheiro, as pessoas gastam de forma mais consciente (eu penso duas vezes antes de ficar tomando sorvete à toa). Não que eu não possa tomar um sorvete de vez em quando, mas será que eu devo tomar sorvete todo dia? Não há uma forma melhor de gastar esse dinheiro e de quebra não sabotar o meu corpo? A sensação de resistir a uma compra por impulso e fazer gastos planejados é muito melhor do que a sensação de chegar em casa com várias sacolas e uma dívida impagável no cartão de crédito.


Orçamento

Antes de gastar, planeje. A primeira coisa a fazer, como casal, isto é, fazer juntos, é colocar no papel (ou melhor, na planilha ❤) quanto vocês ganham e quais são as suas despesas fixas. Água, luz, supermercado, telefone, você sabe do que eu estou falando, aquelas despesas que estão ali todo mês. A despesa pode não ser a mesma todos os meses, mas você pode colocar a média dos últimos meses, ou, se a intenção for cortar gastos, estabelecer uma meta (por exemplo: não queremos gastar mais do que 100 reais na conta de luz -> todos devem economizar energia elétrica).
Aquele dinheiro que você quer gastar com você sem ter que dar explicações? Coloca no orçamento um valor fixo ou uma porcentagem das entradas. Seja fiel ao limite estabelecido. No orçamento familiar também é possível separar um dinheiro para as férias, para uma aquisição futura (um carro, uma geladeira, livros...). É um exercício fundamental para não gastar demais, pois ao final você sabe quanto pode gastar e em quê vai gastar.

Não deixe que uma questão tão trivial como o dinheiro seja um elemento inflamável no seu relacionamento. Pare de vê-lo como inimigo e aprenda como ele pode trabalhar para a felicidade de vocês.

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