Disque Empatia

Empatia. Quando foi a primeira vez que você ouviu essa palavra? Ou melhor, você consegue se lembrar desde que momento a palavra "empatia" significa algo para você? Nos últimos dez anos, a palavra "empatia" saiu das profundezas do dicionário para se tornar um dos termos mais relevantes dos dias atuais.

Não é à toa. A própria física explica o movimento da internet em busca de empatia: para cada ação de uam força, há uma reação de igual magnitude em direção oposta. O aumento da opressão, solidão, violência, intolerância, ódio, ignorância faz com que aumente o interesse por temas como empatia, amor, compaixão.

O fato de que cada vez mais pessoas estão falando sobre isso também tem efeito imediato sobre a procura: as principais buscas pela palavra pedem pela sua definição. O que, exatamente, é empatia?



Dizem que o termo foi criado no meio artístico, para descrever aquela compreensão mútua que ocorre entre artista e espectador por meio da obra de arte - sabe quando você consegue sentir exatamente aquilo que o artista quis dizer com aquela obra? O conceito se expandiu para as relações humanas, chegando a ser descrito como um tipo de inteligência emocional. Na psicologia, empatia envolve tanto a capacidade de compreender o sentimento do outro como a capacidade de sentir o que o outro sente. A empatia não é um sentimento, mas um canal de conexão para que uma pessoa possa reconhecer, compreender e reproduzir a emoção alheia como se fosse sua.

Só por essa breve explicação, dá pra ver porque o termo se tornou tão importante nos nossos dias. As pessoas, mais do que nunca, querem ser compreendidas. As pessoas, mais do que nunca, precisam que a sua dor seja compreendida. É claro que isso não é novidade nenhuma. A sabedoria tradicional no mundo inteiro traz princípios, provérbios e ensinamentos milenares para ativar a empatia, nos mandando andar com os sapatos do outro, comer um quilo de sal com o vizinho, fazer com o outro aquilo que gostarias que fizessem contigo, amar o próximo como a ti mesmo.

O movimento pela empatia tem conquistado cada vez mais seguidores, gente que, com toda boa vontade, está tentando, ou planejando tentar, ou querendo, em algum momento, transformar o pedacinho de mundo em que vive em um lugar melhor. Mas a empatia não é um superpoder. A empatia tem limites. Nem toda boa vontade do mundo é suficiente para vencer a barreira da ignorância.

Eu não consigo reconhecer, compreender ou experimentar o sentimento do outro se eu nunca tive experiência particular semelhante ou parecida. São diversas as situações em que por mais animado que seja o grupo e ainda que seja grande a vontade de ajudar, todas as ações empenhadas nesse sentido resultam em pouco ou nenhum resultado para alterar a realidade. Às vezes até atrapalha.

A empatia não funcionou porque a empatia é limitada àquilo que conhecemos. Como um canal de conexão, o problema da falta de empatia nem sempre é de quem não consegue ser empático. O problema de conexão pode estar do outro lado, seja porque se trata de uma situação realmente peculiar ou porque estamos falando de uma pessoa realmente fechada, e aí não adianta reclamar da falta de empatia dos outros.

Certa vez alguém reclamava que as igrejas negligenciavam um grupo específico de pessoas - muito específico mesmo. A pessoa que reclamava tinha toda a razão. A igreja, realmente, não sabe lidar com o assunto que a ela era tão afeto. Outra pessoa lhe perguntou o que a igreja poderia fazer para contemplar essas pessoas, quais são as ações específicas que ela, como especialista com toda a sua vivência, recomendaria. A resposta foi um balde de água fria: já estamos muito sobrecarregados enfrenando esse problema para ensinar a vocês como podem nos ajudar. A conexão foi perdida.

Muitas vezes as pessoas não fazem nada - ou fazem tudo errado - não porque não se importam, mas porque não sabem o que fazer. Cabe a quem está sofrendo - sim, todos têm um papel ativo nessa história - esclarecer a sua dor: do que você precisa? o que está atrapalhando o seu avanço? como os outros podem ajudar? Isso inclui pedir ajuda, se fazer vulnerável e permitir que o outro faça parte da sua história. Talvez a sua ajuda esteja precisando de ajuda para poder te ajudar.

Vale lembrar aquela frase que eu sempre repito: nada é óbvio. Comunique-se. Não fique esperando que o outro entenda os sinais, pode ser que ele não fale esse idioma. Verbalize. Esclareça. Não adianta reclamar que ninguém te entende se você nunca explica. Ninguém consegue reconhecer aquilo que nunca conheceu. Permita-se ser conhecido. Ninguém vai se conectar com você se não atender o chamado da linha da empatia. A empatia encontra o seu limite no outro.

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