Crianças na igreja

Eita, essas crianças. Dizem que é para levar as crianças para a igreja, mas na igreja elas não se comportam. Ficar em casa por causa das crianças também não é certo. As crianças precisam ir à igreja, assim como os adultos. O melhor é que elas tenham uma sala separada para elas, dizem. Afinal, criança na igreja é bom, desde que não façam barulho. Criança atrapalha. Né?



Ensinando as crianças a ir à igreja

Existe lugar apropriado para todo tipo de coisa. Por exemplo, eu tenho certeza que você ensina os seus filhos, a partir do desfralde, que o banheiro é o lugar apropriado para urinar. Também por isso não é o local apropriado para preparar alimentos ou fazer refeições.

Ensinar às crianças que vamos ao restaurante para fazer uma refeição, vamos à igreja para cultuar a Deus, vamos à escola para estudar e ao banheiro para urinar faz parte do papel de educador. Também sabemos que nenhum lugar existe para se fazer só uma coisa, e que algumas coisas podem ser feitas em lugares diversos, mas para todo lugar existe um princípio de ordem (no sentido de não-bagunça e não de mandamento). Todas essas coisas nós já aprendemos; e o que se aprende, se ensina.

Não se pode esperar que a criança, imediatamente, saiba reagir adequadamente às regras do ambiente, muito menos se comporte como um adulto. Nem por isso podemos negligenciar a função educadora e deixar a criança fazer o que quiser, onde quiser, até quando quiser. Se nós, adultos, esperamos orientações sobre como nos comportar em ambientes desconhecidos, a mesma cortesia deve ser estendida às crianças. Ninguém nasce sabendo.

Atenção: ensinar não é fácil, mas aprender é muito mais difícil. Paciência, compreensão e empatia são fundamentais nesse processo. Repetição, encorajamento, intervenção quando necessário. Paciência. Repetição. Paciência. Calma. Paciência.

Não distraia as crianças do culto

Às vezes é a saída mais fácil. Parece ser a solução ideal. A criança fica feliz pintando, brincando, vendo filminho, qualquer coisa que faça com que ela fique quietinha e não atrapalhe os adultos. A criança está sempre na igreja, nunca no culto. É uma pena.

Leve as crianças à igreja, mas não leve só porque você não tem onde deixar. Leve a criança à igreja para ensinar o caminho em que ela deve andar. O culto é para ela também. Criança também adora, e não há expressão mais linda que aquela de uma criança adorando o seu Salvador.

As atividades direcionadas às crianças são importantes, importantíssimas, fundamentais, mas essas atividades - as de rotina como o culto infantil e a escola bíblica, assim como os programas especiais para o público infantil - ao mesmo tempo em que devem, também, ser culto, não substituem nem retiram a importância da adoração no templo, junto com toda a igreja. 

Crianças oram e participam da oração, crianças cantam com outras crianças, mas também com toda a igreja. E as crianças estão sempre observando - quando não estão distraídas. Elas veem como você cultua, como você se comporta, como você se relaciona. Elas colocam suas moedinhas e dão o dízimo da sua mesada. Crianças participam do culto se isso lhes for permitido. Não retire delas essa oportunidade. Deixem ir os pequeninos.


Entendendo o seu papel de adulto

O problema das crianças na igreja quase nunca é a criança, mas o adulto. Muitos adultos não estão preparados para crianças que fazem criancices - como se fosse algo absurdo ou inimaginável. Crianças não são um mal necessário, uma opção alheia ou um inconveniente social. Crianças são pessoas.

Crianças são pessoas importantíssimas. Elas estão trabalhando para tornar-se adultos. Elas são o nosso investimento, não apenas na preservação da espécie, mas dos valores, da cultura, da sociedade. Nosso principal papel enquanto adultos é ter muita paciência com quem está aprendendo.

O acolhimento das crianças no culto - e das suas famílias - depende muito da postura dos outros adultos. A igreja deve ser um local onde as crianças são bem-vindas, acolhidas com sorrisos e abraços, e não com olhares de censura e dedos em riste, Embora a igreja não seja lugar de bagunça, também não é lugar de intolerância e rabungice.

O nosso papel, enquanto adultos, nem sempre é de educar, ensinar e corrigir. Geralmente a criança já está acompanhada de um adulto responsável pela sua educação. Na verdade, na maioria das vezes o nosso papel é de não intervir - não olhar, não reagir, não fazer caras - por respeito à autoridade do adulto que está com à criança, mas também respeitando a manifestação espontânea da criança em culto e o seu processo de aprendizado.

A criança pode precisar de ajuda para se concentrar, provavelmente não vai conseguir conter reações espontâneas e muitas vezes vai querer comentar e interagir com o que está acontecendo à sua volta. Às vezes é interessante interagir. Ela está aprendendo. Em outras situações, é melhor demonstrar a sua capacidade de concentração. Tente não atrapalhar a criança que está aprendendo.

Deixem as crianças prestar o seu culto a Deus.

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