Páscoa para Cristãos

Dois cristãos compartilhavam os planos para a Páscoa. “Na minha Igreja, faremos um jantar de Páscoa!”, disse o primeiro. “Nós também fazemos!”, o outro respondeu. “Mas vocês fazem o jantar tradicional da Páscoa judaica?”, o primeiro perguntou. “Claro! Assamos o cordeiro, tudo feito segundo o ritual! Eu faço isso há anos, posso lhe ensinar”. E começou a dar instruções, que deveria comprar o animal ainda vivo, para que ele fosse morto do modo correto – “voltado para Belém”, ressaltou – e cuidado com o ponto da carne porque se estivesse ao ponto, estaria errado. 

Desde aquele dia fiquei com a pergunta “Por que os cristãos comemorariam a Páscoa judaica? Se a Páscoa judaica não faz parte da nossa cultura (olha a apropriação!), como celebrar a Páscoa cristã?” Eu entendo a ideia de usar esta “semana santa” para relembrar a última semana antes do sacrifício redentor, mas precisamos tomar cuidado para que a celebração da Páscoa não se torne um ritual de luto, ou pior, um ritual de nada. 


Muitas pessoas passam, logo antes da Páscoa, por um período de mortificação. Privam-se de determinadas coisas, prestam mais atenção à sua conduta, tomam uma atitude de respeito e reverência que muitas vezes não existe, e quando existe não é tão presente, como na Semana Santa. Parece que o adjetivo da semana nos lembra que precisamos manter a santidade – vamos proclamar um ano santo! – mas a verdade é que toda essa reverência traz um clima de velório. Jesus morreu. Coitadinho. Parece o aniversário da morte de um ente querido. É um ritual de luto. 

É curioso que as pessoas queiram viver a última semana antes da crucificação, observando os detalhes mais específicos, mas deixem de observar a sua conduta em todas as outras semanas de vida. Nós sabemos o que Jesus fez antes de ser crucificado, mas também sabemos o que ele fez nos três anos anteriores, por isso, nos outros dias, vale a pena perguntar: o que faria Jesus? Se não é para segui-lo que reencenamos a semana santa, então não passa de um ritual vazio. 

Se já estou crucificado com Cristo, e ele me deu uma nova vida, eu não preciso de um feriado para lembrar que Jesus nasceu, morreu, ressuscitou e agora eu vivo para Ele – isso é todo dia. Os feriados existem para nos dar uma oportunidade de falar aos outros sobre isso. A Páscoa é a celebração da vida em Jesus, uma ótima desculpa para proclamar a salvação.

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