Fogo amigo

Você tem um companheiro, alguém com quem você compartilha a vida. Muita gente passa muito bem pela vida em carreira solo, mas há quem escolha compartilhar. É uma escolha. Foi a minha escolha e é a de muitos.

O nome "companheiro" não foi escolhido a esmo. É alguém que acompanha, que caminha junto, na mesma direção, pelo mesmo caminho. Seu parceiro de jornada. O caminho já não é fácil, e sempre há alguém para atrapalhar, além de que, trabalhar em dupla é complicado. Mas vocês têm um ao outro, para apoiar, amparar, ajudar a crescer. É por isso que andamos juntos.

A gente enfrenta muita coisa: ajustes no relacionamento, dificuldades financeiras, problemas familiares, situações profissionais, doenças físicas e psicológicas, inseguranças, incertezas, palpites, pitacos, ciúmes, inveja... e no meio de tudo isso a última coisa que alguém precisa é de fogo amigo. Sabe o que é? Quando você é atacado pelo seu próprio time.

Quando a gente recebe ataques de fora, dá pra contar um com o outro, chamar reforços, encontrar consolo e renovar as forças. Mas se o ataque vem de dentro, pra onde é que se corre? É covardia. Mas a gente faz isso, às vezes até inconscientemente. Expondo os defeitos do outro na frente da família, dos amigos, ou nas redes sociais. Às vezes é "de brincadeira", mas também machuca. Repreendendo sem respeito, muitas vezes diante de outras pessoas.

Tá certo que a gente precisa acertar os ponteiros, que às vezes o parceiro vacila (e a gente também), que tem comportamento que se repete e incomoda demais, mas pra nenhum desses problemas a humilhação pública é a resposta. 

A gente tem falado muito sobre mudar a maneira de tratar as crianças (graças a Deus!), e esquece que o parceiro também é gente; que se a criança precisa de respeito, também precisa dele o adulto que está ali; que a criança cresce e vai embora e o parceiro, é com ele que a gente deveria ficar a vida toda. Será que ele fica?

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