Não julgarás as mães

Mãe é sagrado, isso a gente já sabe. A mãe dos outros a gente não xinga, nem fala mal. No entanto, uma regra não escrita está muito mais enraizada, pelo menos na nossa cultura, que é a de não se meter na maternidade alheia. Se olhar feio pra criança dos outros - por mais malcriada que lhe pareça - a pessoa já passa por deselegante, e pode inspirar um textão pela imensa falta de solidariedade e compreensão.



Como regra, nenhuma mãe no Brasil está interessada em ouvir opinião ou conselho de ninguém. Entende-se, de modo geral, que uma mãe está sempre certa, mesmo que ela esteja errada. Na verdade, errado é quem está se metendo. Você vai ver quando você tiver os seus.

Dizer para uma mãe que ela está agindo erradamente com seu filho é acordar uma fera, mesmo que ela esteja, sei lá, fumando crack durante a gestação, ou colocando pinga na mamadeira. Bater na criança é mais seguro do que desafiar uma mãe em sua maternidade.

Mas será que alguém não julga? Todo mundo julga, ainda que seja educado demais para dizer alguma coisa. Coitado de quem tem o dever legal de se meter. O Conselho Tutelar, a equipe pedagógica da escola, e até a polícia são vítimas do mais enraivecido "você está querendo me ensinar como criar o meu filho?".

Talvez seja necessário, pelo bem das crianças, abrir um pouco a cabeça. Ouvir um pouco mais, mesmo não concordando, mas parando pra refletir. Por que estão me dizendo isso? Se filho não vem com manual, mamãe também não sabe tudo. Nenhuma mãe está sempre certa. Nem sempre a criança sobrevive. E dificilmente é a mãe quem paga as terapias da criança que sobreviveu.

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