Como escolher um candidato

Começa a corrida eleitoral. Os candidatos se apresentam. Debates. Entrevistas. As redes sociais comentam em profusão sobre esses candidatos, mas também abundam com a participação dos próprios candidatos - a internet cada vez mais relevante na corrida eleitoral.

As pessoas não comentam apenas sobre os candidatos, mas sobre os eleitores. O período eleitoral é maravilhoso para liberar aquela vontade que todo mundo tem de criticar as escolhas alheias. Fica tudo disfarçado na desculpa de que a crítica está sobre o candidato e não sobre o eleitor.

Apelos são abundantes - votem neste, não votem naquele - com uma diversidade de argumentos impressionante. O que mais me chama atenção é o tal do "gente como a gente", que é o argumento da identificação. Mulher vota em mulher. Crente vota em crente. Professor vota em professor.


O problema desse argumento é que ele leva a tal da representatividade a um nível absurdo, sem no entanto corresponder à sua própria pregação. Isso porque se alguém precisa ter as mesmas características - biológicas, físicas, sociais, econômicas, religiosas - que você para o representar, a única pessoa que pode ocupar esse papel é você mesmo.

Falamos tanto em empatia e parará, como é que, ao mesmo tempo, podemos deixar escapar a ideia de que alguém que não é como você poderia compreender e lutar pelas suas necessidades, como seu representante? Como a gente pode limitar a tal da identificação a uma característica física e insistir no discurso da empatia e do que vem de dentro? Como eu posso descartar um candidato porque ele é milionário e eu não? Ou porque é branco e eu sou preta? Ou porque é homem e eu sou mulher?

Tudo isso para votar em alguém que parece ser parecido com você, mas que vai acabar fazendo tudo como sempre, como todos os outros, como você jamais esperou. Afinal, a gente não chega a conhecer esses candidatos, não é? Se basta ser mulher para ganhar o meu voto, de que me interessa o plano de governo? Se eu vou votar em alguém que tenha a mesma profissão que eu, vou confiar na probabilidade de que ela pense como eu...

Representação política não pode ser uma representação de fachada. Precisa ser uma representação ideológica. Quem me representa é alguém que pense parecido comigo, especialmente no que diz respeito à política. Eu não preciso votar em alguém que goste das mesmas músicas que eu, mas precisa ser alguém que tenha a mesma visão de Estado que eu, alguém que atenda às minhas expectativas para o que eu espero de um deputado/senador/governador/presidente.

É assim que funciona a democracia representativa - com ideias, e não com personagens.

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