"Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz"

Às vezes nos perdemos em labirintos de diferenças, rotulando o que é santo/profano, verdadeiro/herético sem prestar tanta atenção ao conteúdo. Deixamos passar oportunidades de reflexão e desperdiçamos a graça comum ao desprezar o conteúdo pela fonte que, às vezes, julgamos inadequada.

Já vi trechos da oração, atribuída a São Francisco de Assis, em músicas que são cantadas em nossas igrejas - onde há frieza, que haja amor; onde há ódio, o perdão... - mas ultimamente tem me chamado a atenção a primeira frase - Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz.

Não entrando em discussões sobre a terminologia, especialmente sobre o uso do pronome no plural... estou reproduzindo a frase como é mais conhecida.

A proposta é simples e humilde - não suplica por uma situação mais confortável, uma solução milagrosa, mas se coloca à disposição para ser o instrumento. Significa mais do que desejar a paz, se dispor a trazer a paz para o ambiente de conflito.

Você já pensou o quão diferente pode ser o seu local de trabalho, a sua casa, os ambientes em que você convive com outras pessoas, se você for o instrumento da paz de Deus naquele lugar? É uma postura diferente de não promover o conflito, ou mesmo de se isolar de situações e pessoas que geram conflito. O conflito aparece, ele nos cerca. Será que teremos a coragem de ser o instrumento da paz, e não de qualquer paz, mas a paz de Deus?

Quando cantamos "onde há frieza, que haja amor; onde há ódio, o perdão", estamos pedindo pela transformação do outro ou estamos nos oferecendo para ser e viver o amor e o perdão neste mundo de ódio e indiferença?

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